Aveia, Trigo e Cevada

Mercado de trigo segue travado no Sul enquanto Chicago recua e menor oferta brasileira sustenta preços

Compradores reduzem ritmo de negociações, moinhos operam com cobertura de curto prazo e expectativa de queda na produção mantém viés de alta para o cereal no segundo semestre


Publicado em: 29/06/2026 às 11:20hs

Mercado de trigo segue travado no Sul enquanto Chicago recua e menor oferta brasileira sustenta preços

O mercado brasileiro de trigo iniciou a semana com ritmo lento de comercialização, refletindo a postura cautelosa de compradores e vendedores diante das incertezas sobre a nova safra. Enquanto os contratos futuros registram leves baixas na Bolsa de Chicago (CBOT), os fundamentos internos seguem dando sustentação aos preços no Brasil, especialmente pela redução da oferta disponível e pelas perspectivas de menor produção nos principais estados produtores.

No Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, os negócios permanecem limitados, com os moinhos reduzindo a intensidade das compras e priorizando apenas a cobertura das necessidades de curto prazo.

Mercado físico permanece travado no Sul

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o mercado gaúcho registrou baixo volume de negócios na última semana, com aproximadamente 10 mil toneladas negociadas. As referências giram em torno de R$ 1.420 por tonelada entregue nos moinhos, variando conforme prazo de pagamento e distância do frete.

Os grandes moinhos praticamente encerraram as compras para julho e parte das indústrias já começa a direcionar as negociações para entregas em agosto.

A perspectiva para a próxima safra também inspira cautela. A combinação entre custos elevados de produção, preços pressionados, risco climático associado ao El Niño e preocupação com maior incidência de micotoxinas, especialmente o DON, poderá reduzir significativamente a área cultivada em regiões do centro e noroeste gaúcho.

Estimativas do setor apontam possibilidade de retração de até 40% na área plantada em algumas regiões. A Emater-RS projeta uma produção próxima de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das cerca de 4 milhões de toneladas colhidas na safra anterior, mantendo um déficit estimado de aproximadamente 1,9 milhão de toneladas.

No mercado de balcão, o preço médio no Rio Grande do Sul avançou para R$ 70,02 por saca.

Santa Catarina e Paraná registram pouca movimentação

Em Santa Catarina, o mercado continua praticamente parado. Houve negociações pontuais envolvendo trigo melhorador proveniente de sobras de sementes, ao redor de R$ 1.450 por tonelada FOB.

As referências permanecem próximas de R$ 1.350 FOB e R$ 1.500 CIF nos moinhos da região leste do estado. A falta de reação dos preços da farinha continua limitando novas compras do cereal.

Os preços de balcão variam entre R$ 64 e R$ 72 por saca, mantendo estabilidade na maior parte das regiões produtoras.

No Paraná, a oferta de trigo da safra passada é bastante restrita e ainda há pouca negociação envolvendo a nova safra. Os moinhos indicam valores próximos de R$ 1.450 por tonelada CIF nos Campos Gerais e em Curitiba, chegando a R$ 1.480 no norte do estado.

Já os produtores mantêm pedidas a partir de R$ 1.400 FOB, enquanto os primeiros negócios da safra nova giram em torno de R$ 1.400 CIF, com entregas previstas entre o final de agosto e setembro.

Chicago inicia semana em leve queda

No mercado internacional, os contratos futuros do trigo operaram em leve baixa nesta segunda-feira na Bolsa de Chicago.

Nas primeiras negociações do dia:

  • Julho/2026: US$ 5,76 por bushel (-2,2 pontos);
  • Setembro/2026: US$ 5,88 por bushel (-1,6 ponto);
  • Dezembro/2026: US$ 6,05 por bushel (-2,2 pontos).

O mercado internacional segue pressionado pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte e pelas expectativas de aumento da oferta entre os principais países exportadores, fatores que limitam novas altas nas cotações internacionais.

Oferta mundial amplia pressão, mas fundamentos brasileiros seguem firmes

Apesar da pressão exercida pelo mercado global, diversos fatores continuam oferecendo suporte aos preços do trigo.

Na Europa, a onda de calor reduziu o potencial produtivo em algumas regiões e levou à revisão para baixo da estimativa da safra de trigo soft da União Europeia, agora projetada em 126,3 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, aumentou a área de trigo de primavera e durum afetada por algum grau de seca, embora a previsão de chuvas nas Grandes Planícies possa amenizar parte das perdas.

Na Argentina, o excesso de umidade continua atrasando o plantio, mantendo incertezas sobre o potencial produtivo da próxima safra.

Menor produção brasileira deve ampliar necessidade de importações

No Brasil, o principal fator de sustentação continua sendo a redução da área cultivada nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul.

Mesmo com produtividade dentro da normalidade, o Paraná deverá registrar déficit próximo de 1,5 milhão de toneladas para atender à demanda da indústria moageira, aumentando a dependência das importações ao longo do segundo semestre.

Analistas avaliam que o mercado doméstico tende a permanecer estável, com viés de alta, principalmente caso o fenômeno El Niño provoque problemas durante o enchimento dos grãos ou na colheita da safra de inverno.

Estratégia do mercado permanece baseada na cautela

O cenário atual recomenda prudência tanto para produtores quanto para compradores.

A orientação é que os produtores realizem vendas de forma escalonada, aproveitando momentos de recuperação das cotações. Cooperativas e cerealistas devem manter compras graduais e estoques reduzidos, enquanto os moinhos tendem a ampliar suas posições apenas de forma progressiva ao longo do segundo semestre, diante do risco de menor oferta doméstica.

Com o mercado físico ainda travado, estoques limitados e perspectivas de redução da produção nacional, o comportamento do clima nas próximas semanas será decisivo para definir o rumo dos preços do trigo no Brasil até o início da nova colheita.

Fonte: Portal do Agronegócio

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