Aveia, Trigo e Cevada

Mercado de trigo no Sul segue firme com demanda aquecida e dólar elevando custos de importação

Moinhos disputam trigo de qualidade no Rio Grande do Sul, enquanto Paraná e Santa Catarina mantêm mercado sustentado por oferta restrita e preços elevados


Publicado em: 21/05/2026 às 10:40hs

Mercado de trigo no Sul segue firme com demanda aquecida e dólar elevando custos de importação
Foto: CNA

O mercado de trigo na Região Sul do Brasil mantém cenário de firmeza nos preços, impulsionado pela demanda ativa dos moinhos, pela baixa disponibilidade de trigo de qualidade e pelo avanço do dólar, que voltou a encarecer a paridade de importação. O movimento fortalece as negociações internas e sustenta os valores praticados nos três principais estados produtores do país.

No Rio Grande do Sul, a procura por trigo de melhor padrão segue intensa. Segundo análises do mercado, os moinhos encontram dificuldade para adquirir lotes com qualidade superior, o que mantém os preços em patamares elevados. Negócios envolvendo trigo considerado bom chegam a atingir R$ 1.500 por tonelada CIF, dependendo da necessidade do comprador e com prazo de pagamento em até 45 dias.

Além disso, o trigo branqueador voltou a ganhar espaço nas negociações, com registros de volumes expressivos comercializados recentemente. As indústrias gaúchas já encerraram praticamente todas as coberturas para maio, enquanto os contratos de junho estão estimados em cerca de 50% preenchidos.

Para a safra nova, o mercado segue relativamente travado. A estimativa aponta cerca de 40 mil toneladas negociadas até o momento, sem novos relatos relevantes de vendas futuras. No mercado de balcão, os preços ao produtor avançaram, com destaque para Panambi, onde a saca atingiu R$ 64,00.

Santa Catarina mantém estabilidade no mercado de trigo

Em Santa Catarina, o mercado continua apresentando maior estabilidade em comparação aos demais estados do Sul. O estado segue recebendo ofertas tanto do mercado interno quanto de trigo originado do Rio Grande do Sul e do Paraná.

Os preços do trigo catarinense subiram para o piso de R$ 1.350 por tonelada FOB, considerando retirada e pagamento em 30 dias. Alguns negócios têm ocorrido com liquidação semanal, refletindo a necessidade de abastecimento imediato de parte dos compradores.

No mercado de balcão catarinense, os preços apresentaram comportamento misto entre as regiões produtoras. Houve estabilidade nas praças de Canoinhas, Xanxerê, Chapecó e Joaçaba, enquanto Rio do Sul e São Miguel do Oeste registraram valorização recente.

Paraná opera com preços ajustados e poucas ofertas disponíveis

No Paraná, o mercado também segue firme, sustentado pela escassez de ofertas e pela postura cautelosa dos vendedores. As indicações de venda variam entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada FOB, enquanto compradores sinalizam negócios próximos de R$ 1.450 por tonelada nos moinhos para entregas em junho.

O trigo branqueador no estado tem referência ao redor de R$ 1.450 FOB. Já para a safra nova, os preços indicativos para setembro permanecem entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada FOB.

No cenário de importação, o trigo argentino nacionalizado nos portos brasileiros aparece entre US$ 290 e US$ 295 por tonelada. Apesar disso, o trigo gaúcho ofertado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 FOB enfrenta resistência dos moinhos paranaenses devido aos custos logísticos e à carga tributária envolvida nas operações interestaduais.

Dólar segue como fator decisivo para o mercado de trigo

O avanço do dólar continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado brasileiro de trigo. Com a moeda norte-americana mais valorizada, o cereal importado perde competitividade, favorecendo o produto nacional e reforçando a tendência de preços firmes no Sul do país.

A combinação entre estoques restritos, demanda contínua da indústria moageira e dificuldades para aquisição de trigo de qualidade deve manter o mercado sustentado nas próximas semanas, especialmente enquanto a oferta da nova safra ainda não ganha volume significativo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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