Publicado em: 27/03/2026 às 15:00hs
O mercado brasileiro de trigo apresentou baixa liquidez ao longo da semana, refletindo um forte desalinhamento entre compradores e vendedores. Mesmo com os preços sustentados pela oferta restrita, o volume de negociações seguiu reduzido, com operações pontuais e dificuldade de convergência entre as partes.
Esse cenário evidencia um mercado travado, no qual a firmeza nas pedidas não encontra respaldo na disposição de compra, limitando o avanço dos negócios.
No Paraná, as cotações do trigo giraram em torno de R$ 1.300 por tonelada no mercado FOB. Do lado da demanda, moinhos indicaram valores próximos no CIF, porém condicionados a requisitos específicos de qualidade e entrega.
A escassez de lotes disponíveis e a postura firme dos vendedores contribuíram para restringir a fluidez do mercado. Ainda assim, o estado registrou valorização semanal de cerca de 2%, refletindo o suporte proporcionado pela oferta limitada.
No Rio Grande do Sul, o cenário foi ainda mais restritivo, com mercado praticamente paralisado. A ausência de oferta firme está relacionada, principalmente, à priorização logística para o escoamento de milho e soja.
As pedidas de venda ficaram próximas de R$ 1.250 por tonelada, enquanto compradores trabalharam em uma faixa entre R$ 1.100 e R$ 1.150 por tonelada. A diferença significativa entre os preços ampliou os spreads e reduziu ainda mais o volume de negociações.
Apesar da baixa liquidez, o estado registrou valorização semanal de aproximadamente 5% nas indicações de preço.
De acordo com Elcio Bento, analista e consultor da Safras & Mercado, a combinação de fatores estruturais tem mantido o mercado sob pressão.
Entre os principais pontos estão:
Esse conjunto de fatores contribui para a manutenção de preços firmes, mas dificulta o fechamento de novos negócios.
No mercado internacional, a valorização do trigo argentino e a paridade de importação acima dos preços internos sinalizam um possível ajuste altista nos próximos períodos.
Além disso, a menor disponibilidade de trigo com maior teor de proteína — especialmente na Argentina — e a redução da capacidade de segregação logística aumentam a restrição de oferta de grãos de melhor qualidade.
A expectativa para o curto prazo é de continuidade do ambiente travado, com negociações pontuais e baixa liquidez. No entanto, o viés segue sendo de recuperação gradual dos preços.
Esse movimento dependerá, principalmente, da retomada da demanda por parte dos moinhos e do alinhamento com a paridade de importação, em um cenário marcado por oferta curta e maior dependência de trigo de origem externa.
Fonte: Portal do Agronegócio
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