Publicado em: 13/03/2026 às 17:00hs
O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com estabilidade nas cotações e baixo volume de negociações, refletindo a postura cautelosa dos agentes diante da recente volatilidade dos fatores que influenciam a formação de preços.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, compradores e vendedores adotaram uma estratégia de maior prudência, aguardando sinais mais claros sobre o comportamento do câmbio e das cotações internacionais do cereal.
“O mercado permanece tecnicamente firme, porém com liquidez relativamente limitada”, avaliou o analista.
No mercado interno, as negociações ocorreram de forma pontual ao longo da semana.
No Paraná, as indicações de preços ficaram entre R$ 1.370 e R$ 1.380 por tonelada FOB no interior, enquanto as referências para entrega em São Paulo ficaram próximas de R$ 1.460 por tonelada CIF.
Já no Rio Grande do Sul, o ritmo de negócios também permaneceu restrito, com valores em torno de R$ 1.100 por tonelada FOB, para retirada programada.
A menor oferta imediata de trigo no mercado também contribui para sustentar as cotações.
Além disso, produtores vêm reorganizando a armazenagem com o avanço da colheita do milho safrinha, o que influencia o fluxo de comercialização do cereal e mantém a liquidez mais limitada neste momento.
No cenário externo, os contratos futuros de trigo nas bolsas norte-americanas, que haviam registrado altas mais expressivas anteriormente, passaram por um movimento de acomodação ao longo da semana.
O dólar comercial também apresentou comportamento semelhante, o que reduziu as paridades de importação que haviam se elevado de forma significativa em períodos anteriores.
O mercado ainda acompanhou a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento trouxe poucas alterações relevantes e acabou não provocando mudanças significativas no ritmo de negociações.
O ambiente internacional também foi marcado por incertezas geopolíticas e logísticas no comércio global de grãos.
Relatos de ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e riscos de navegação na rota do Mar Vermelho, corredor estratégico para o transporte via Canal de Suez, aumentaram as preocupações do mercado.
Segundo Elcio Bento, esse cenário tem impacto direto nos custos do comércio internacional.
“Essa situação tem elevado os custos de seguro marítimo e pressionado os fretes internacionais, aumentando a percepção de risco nas operações globais de comércio de grãos”, explicou.
Para a próxima semana, a expectativa é de manutenção do ambiente de firmeza técnica nas cotações, mas ainda com liquidez limitada, enquanto os agentes acompanham os desdobramentos do câmbio, do mercado internacional e do cenário logístico global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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