Aveia, Trigo e Cevada

Mercado de trigo mantém ritmo lento no Brasil enquanto cotações internacionais recuam com menor risco climático

Negociações seguem travadas no Sul do país, com moinhos abastecidos e produtores cautelosos; no exterior, preços do trigo caem após melhora nas condições climáticas no Mar Negro


Publicado em: 05/02/2026 às 11:10hs

Mercado de trigo mantém ritmo lento no Brasil enquanto cotações internacionais recuam com menor risco climático
Foto: Gilson Abreu
Mercado interno segue lento, com moinhos abastecidos e produtores retraídos

O mercado de trigo no Brasil continua operando em ritmo moderado, principalmente na região Sul, onde moinhos permanecem abastecidos no curto prazo e concentram atenções em entregas futuras. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, a demanda imediata está restrita, mas há expectativa de valorização ao longo do primeiro semestre de 2026.

No Rio Grande do Sul, as indústrias demonstram interesse maior por compras com entrega a partir de março, com poucos negócios pontuais em fevereiro. Os preços se mantêm entre R$ 1.150 e R$ 1.200 por tonelada, com moagem reduzida e estoques confortáveis. A tendência é de diminuição da oferta nas próximas semanas, já que muitos produtores devem postergar vendas com a chegada das receitas da soja e do milho. A expectativa é de alta a partir de abril, especialmente para trigos de melhor qualidade, diante da limitação da oferta argentina.

O estado também tem se destacado nas exportações, com 66 mil toneladas embarcadas por cabotagem para o Nordeste, reforçando a competitividade do trigo gaúcho. O preço médio ao produtor, na pedra, segue em R$ 54,00 por saca em Panambi.

Santa Catarina e Paraná mantêm cautela nas negociações

Em Santa Catarina, o cenário permanece travado. As negociações se concentram em sementes e poucas ofertas de venda, com pedidas de R$ 1.200 por tonelada FOB para o trigo pão e R$ 1.300 para o melhorador — valores considerados elevados pelos moinhos, que estão com estoques cheios. Os preços de balcão recuaram em algumas regiões, variando entre R$ 59,00 e R$ 64,00 por saca, e produtores já indicam redução de área de plantio na próxima safra, priorizando o milho.

No Paraná, o quadro é de estabilidade. Os moinhos estão cobertos até fevereiro e sinalizam interesse em novas compras apenas para março, com pagamento em abril. O abastecimento local ocorre, principalmente, com trigo paraguaio e gaúcho, mais competitivos, enquanto parte da produção paranaense é destinada ao Nordeste ou mantida em estoque. Os preços CIF variam de R$ 1.200 a R$ 1.280, e o trigo importado nacionalizado é ofertado em torno de US$ 250 por tonelada.

Trigo internacional recua com alívio de risco climático

No cenário externo, o mercado de trigo encerrou a última sessão em queda, refletindo menor preocupação com o clima na região do Mar Negro e avanços diplomáticos em negociações de paz. Conforme a TF Agroeconômica, o ajuste das expectativas reduziu os prêmios de risco que vinham sustentando as cotações nas semanas anteriores.

Em Chicago, o trigo brando SRW para março caiu para US$ 526,75 por bushel, enquanto o contrato de maio fechou a US$ 536,25. O trigo duro HRW de Kansas recuou para US$ 530,25, e o HRS de Minneapolis encerrou a US$ 566,00. Já na Europa, o trigo para moagem negociado em Paris destoou do movimento americano e registrou leve alta, a € 193,75 por tonelada.

Condições climáticas e dólar pressionam as cotações

O movimento de baixa foi impulsionado por relatórios que indicaram ausência de danos severos às lavouras na Ucrânia e na Rússia após o período de frio intenso. Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou que 61% das lavouras estão em condição boa ou excelente, superando o desempenho do ano anterior.

Outro fator que contribuiu para a pressão sobre os preços foi o fortalecimento do dólar, que reduziu a competitividade do trigo americano no mercado global. As negociações de paz no Mar Negro, conduzidas em Abu Dhabi, reforçaram a percepção de estabilidade na oferta mundial, levando as bolsas de futuros a ajustarem os preços para baixo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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