Publicado em: 27/01/2026 às 11:13hs
O mercado brasileiro de trigo começou o ano de 2026 com pouca movimentação comercial e negociações pontuais, reflexo da combinação entre oferta limitada e demanda retraída.
De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), tanto as operações internas quanto as exportações e importações ficaram abaixo das expectativas em janeiro.
O ritmo lento é atribuído, principalmente, ao foco dos produtores nas atividades da safra de verão e na preparação das lavouras da segunda safra, o que mantém muitos vendedores fora do mercado. As vendas ocorrem apenas em casos pontuais — como necessidade de liberar espaço nos armazéns ou gerar caixa.
Do lado da demanda, os compradores também se mostram cautelosos. Muitas indústrias e moinhos já estão abastecidos com estoques remanescentes ou contratos firmados para o início do ano, o que reduz o apetite por novas aquisições.
Nas regiões produtoras do Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a lentidão é ainda mais perceptível. Segundo informações da TF Agroeconômica, os vendedores mantêm uma postura retraída, enquanto compradores aguardam oportunidades mais vantajosas.
No interior gaúcho, os preços giram em torno de R$ 1.100 por tonelada, enquanto os compradores indicam interesse apenas para entregas futuras, com valores entre R$ 1.050 e R$ 1.070. As ofertas para exportação chegam a R$ 1.150 nos portos, mas sem grande avanço em volume.
A competitividade do trigo importado também interfere nas negociações. O cereal do Paraguai segue mais competitivo no noroeste gaúcho, seguido pelo uruguaio, enquanto o produto argentino tem diferença média de R$ 120 por tonelada em relação ao brasileiro.
Em Santa Catarina, o trigo gaúcho chega aos moinhos do leste do estado com valores entre R$ 1.230 e R$ 1.250 CIF, inferiores às ofertas locais, que variam de R$ 1.250 a R$ 1.300 FOB. Já no Paraná, os moinhos estão abastecidos até fevereiro e demonstram interesse apenas em contratos para março, com pagamento em abril. O trigo importado, nacionalizado no porto, é ofertado em torno de US$ 250 por tonelada.
No cenário global, o mercado de trigo encerrou a última semana em queda, refletindo ajustes após recentes altas e a redução das preocupações com o frio extremo nos Estados Unidos e na Rússia.
Segundo análise da TF Agroeconômica, as cotações recuaram após o clima mostrar sinais menos severos do que o previsto, mesmo após uma tempestade de inverno atingir parte das regiões produtoras norte-americanas.
Na Bolsa de Chicago, o contrato de trigo brando (SRW) para março caiu 1,32%, cotado a US$ 5,22 por bushel, enquanto o vencimento de maio recuou 1,16%, para US$ 5,32 por bushel. Já o trigo duro (HRW) de Kansas perdeu 2,03%, e o trigo de primavera (HRS) em Minneapolis fechou com baixa de 0,91%, a US$ 5,69 por bushel.
Na Euronext de Paris, o cereal para moagem recuou 1,05%, cotado a € 189 por tonelada.
O recuo foi influenciado por relatos de que a cobertura de neve nas lavouras ajudou a elevar a umidade do solo e proteger as plantações contra o frio extremo, reduzindo o risco de perdas significativas. Analistas destacam que a maior presença de neve foi superior ao esperado, o que trouxe alívio momentâneo às preocupações com a oferta global do grão.
Especialistas avaliam que a atual lentidão nas negociações é sazonal e tende a se ajustar conforme o avanço das atividades agrícolas e a retomada da demanda dos moinhos.
Com a estabilização do clima nas principais regiões produtoras do mundo e a retomada das exportações brasileiras, espera-se que o mercado de trigo recupere fôlego ao longo das próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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