Publicado em: 29/12/2023 às 17:00hs
O ano de 2023 chega ao fim com uma significativa redução nos preços do trigo no mercado brasileiro. A média nacional apresenta uma variação negativa de 26,5% em comparação ao final do ano anterior. O estado do Rio Grande do Sul registra uma retração anual de 16,9%, enquanto o Paraná apresenta uma queda de 23,5%.
De acordo com Elcio Bento, analista da SAFRAS & Mercado, a diminuição menos intensa no Rio Grande do Sul em comparação ao Paraná pode ser explicada pelos movimentos na produção de ambos os estados. Bento destaca que, entre janeiro e agosto, o mercado nacional foi influenciado pelo abastecimento da safra 2022/23 do trigo, colhida em 2022. Somente no último quadrimestre, os preços refletiram mais intensamente os dados de oferta e demanda da temporada 2023/24.
Nos primeiros sete meses de 2023, o Rio Grande do Sul negociou uma safra que ultrapassou 6 milhões de toneladas, enquanto o consumo local é inferior a 2 milhões de toneladas. Já no Paraná, a produção da temporada 2022/23 foi prejudicada pelo excesso de chuvas, com cerca de 50% da produção não atendendo aos padrões de qualidade. Os preços tiveram três momentos distintos ao longo do ano: janeiro a abril, maio a setembro e outubro em diante.
No primeiro período, ainda sob os reflexos da produção recorde gaúcha e da quebra paranaense, os preços domésticos seguiram uma dinâmica própria, pouco correlacionada com as paridades de importação e exportação. No segundo, os preços no Paraná e no Rio Grande do Sul sofreram quedas acentuadas, impulsionadas por fatores internacionais e locais. No terceiro momento, a possibilidade de quebra de safra devido ao excesso de chuva alterou rapidamente o mercado, aproximando os preços da paridade de importação.
Elcio Bento projeta que, para os meses de 2024 regidos pelos números da temporada 2023/24, as cotações domésticas seguirão balizadas pela paridade de importação. O comportamento do câmbio e dos preços internacionais do trigo voltarão a ser variáveis extremamente importantes para a formação de preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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