Publicado em: 09/01/2026 às 11:00hs
O setor de trigo inicia o ano de 2026 enfrentando um cenário de estabilização nos preços internacionais e desafios logísticos e qualitativos no Brasil. Segundo análises da consultoria TF Agroeconômica, o mercado global, balizado pela Bolsa de Chicago (CBOT), ainda não apresenta sinais de reversão para a tendência de baixa que se consolidou desde o ano passado.
O contrato SRW para dezembro de 2026 mantém uma estrutura técnica de baixa. O mercado observou uma desvalorização acentuada, saindo do patamar de 690 centavos de dólar por bushel para a faixa atual de 560 a 565 centavos.
O aumento no volume de vendas recente indica que os fundos de investimento continuam apostando na queda, refletindo um conforto global em relação à oferta do grão.
No cenário doméstico, o Rio Grande do Sul apresenta um equilíbrio ajustado entre oferta e demanda. Com uma disponibilidade estimada em 4,05 milhões de toneladas e um consumo projetado de 3,9 milhões, o estoque final deve girar em torno de 150 mil toneladas.
A grande questão para o produtor gaúcho em 2026 é a qualidade industrial. Grande parte da safra está sendo destinada à produção de ração e biscoitos, o que obriga a indústria a buscar blends (misturas) para panificação, mantendo o mercado dependente de lotes com melhores especificações técnicas.
Diferente do vizinho do sul, o Paraná enfrenta um mercado estruturalmente apertado. A capacidade de moagem das indústrias paranaenses supera a produção estadual, o que sustenta preços mais elevados.
A demanda interna brasileira deve ser favorecida por estímulos ao consumo e à renda. No entanto, o bom nível de abastecimento dos moinhos e a disputa por margens de lucro devem conter altas agressivas nos preços finais.
O mercado deve ser marcado por "ralis" técnicos (altas momentâneas), mas com uma volatilidade muito menor do que a registrada em anos anteriores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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