Excesso de chuva afeta trigo em São Paulo e Paraná; colheita nacional chega a 21,6%
Conab identifica grãos germinando ainda nas plantas paulistas e baixa produtividade nas áreas já colhidas no Paraná; umidade também amplia risco de doenças no Sul
Publicado em: 23/09/2026 às 11:25hs
A colheita do trigo alcançou 21,6% da área cultivada no Brasil até 18 de setembro, mas o avanço dos trabalhos no campo vem acompanhado por preocupações crescentes com a produtividade e a qualidade dos grãos. O excesso de umidade já provoca germinação na própria planta em áreas de São Paulo e dificulta a retirada da safra no Paraná.
As condições climáticas adversas também aumentam a pressão de doenças nas lavouras de Santa Catarina. Em sentido contrário, o tempo mais seco beneficia o desenvolvimento do trigo no Rio Grande do Sul e favorece a execução dos manejos previstos pelos produtores.
Chuva provoca germinação de trigo na própria planta em São Paulo
Em São Paulo, o excesso de chuva combinado às baixas temperaturas elevou o risco de perdas nas regiões tritícolas mais atingidas pelas precipitações.
Segundo o acompanhamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), já existem registros de grãos germinando ainda nas plantas. O problema ocorre quando o trigo maduro permanece exposto à umidade elevada antes da colheita.
A germinação antecipada pode comprometer características importantes para a indústria de moagem, reduzindo a qualidade tecnológica da matéria-prima e limitando sua utilização na produção de farinha destinada à panificação.
Produtividade do trigo fica abaixo do esperado no Paraná
As lavouras paranaenses apresentam bom desenvolvimento de maneira geral, mas a produtividade registrada nas áreas colhidas até o momento é considerada baixa pela Conab.
Os produtores aproveitam os intervalos sem chuva para acelerar a entrada das máquinas. A instabilidade climática, entretanto, reduz o número de horas disponíveis para a operação e mantém a umidade dos grãos elevada em algumas áreas.
Os primeiros lotes comerciais colhidos no Centro-Sul também reforçam os sinais de perda qualitativa. Informações de mercado indicam maior presença de trigo dos tipos 2 e 3 no Paraná e em São Paulo, enquanto a oferta de produto tipo 1 permanece mais restrita.
Também são relatadas reduções no peso hectolitro (PH), na força de glúten e no Falling Number, parâmetros utilizados para avaliar a qualidade industrial do cereal.
Doenças ameaçam lavouras de trigo em Santa Catarina
A continuidade das chuvas mantém elevada a pressão fitossanitária em Santa Catarina, especialmente nas regiões Oeste e Extremo Oeste.
As áreas mais precoces estão entre as fases de espigamento, florescimento e enchimento dos grãos, períodos nos quais as plantas ficam mais sensíveis às condições de alta umidade.
A Conab destaca a necessidade de monitoramento de doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares. A presença desses patógenos pode reduzir tanto o potencial produtivo quanto a qualidade comercial do trigo.
A giberela exige atenção especial durante o florescimento. Além de provocar perdas de rendimento, a doença pode afetar a segurança e a classificação dos grãos devido à possibilidade de contaminação por micotoxinas.
Tempo seco favorece lavouras no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de trigo, o cenário climático foi mais favorável no período analisado. O tempo seco facilitou a realização dos manejos e permitiu melhor acesso às lavouras.
A boa luminosidade e as temperaturas adequadas também contribuíram para o desenvolvimento das plantas.
Embora tenham sido registradas geadas durante a semana, o frio não atingiu as principais regiões onde as lavouras se encontram em fase reprodutiva. Com isso, o risco imediato de perdas provocadas pelas baixas temperaturas foi reduzido.
Minas Gerais e Goiás se aproximam do fim da colheita
A colheita do trigo está bastante adiantada em Minas Gerais. Até o momento, não foram identificadas perdas relacionadas às chuvas durante as fases finais de maturação e retirada dos grãos.
Em Goiás, os trabalhos também caminham para a conclusão sem registro de danos associados às precipitações recentes. Mato Grosso do Sul, por sua vez, já encerrou a colheita.
Com o avanço das máquinas pelo Centro-Sul, o mercado passa a acompanhar não apenas o volume produzido, mas principalmente a qualidade da safra. A disponibilidade de trigo tipo 1 e o desempenho de indicadores industriais serão determinantes para a formação dos preços e para a necessidade de importações ao longo dos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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