Publicado em: 12/02/2026 às 11:00hs
A combinação de oferta restrita no Sul do Brasil, fatores climáticos adversos e entraves logísticos internacionais vem pressionando os preços do trigo no mercado interno e nas principais bolsas globais. Especialistas alertam para um cenário volátil, que deve influenciar estratégias de abastecimento e contratos futuros nas próximas semanas.
No Rio Grande do Sul, a disponibilidade de trigo já mostra sinais de aperto. Segundo a TF Agroeconômica, o estado conta com cerca de 840 mil toneladas à venda, volume insuficiente para atender à demanda mensal, estimada entre 208 mil e 242 mil toneladas.
Mesmo considerando a distribuição linear do estoque restante até a próxima safra, a oferta mensal seria de aproximadamente 120 mil toneladas, apontando um déficit de cerca de metade da necessidade. O mercado interno acompanha a tensão: vendedores pedem R$ 1.100 no interior, enquanto moinhos ofertam entre R$ 1.050 e R$ 1.060 para entrega em março e pagamento em abril. O preço ao produtor se mantém em R$ 54 a saca em Panambi.
Em Santa Catarina, moinhos priorizam o trigo gaúcho a R$ 1.070, mais ICMS e frete, enquanto ofertas locais de R$ 1.250 CIF não encontram espaço. No Paraná, a entrada de trigo do RS e do Paraguai mantém a pressão sobre os preços regionais.
O aumento do frete internacional, de US$ 18 para US$ 21,45 por tonelada, reduz a competitividade do trigo argentino, historicamente usado para complementar estoques nacionais. Ainda assim, o Sul do país precisará importar cerca de 700 mil toneladas para manter o ritmo de moagem e equilibrar a oferta.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o trigo iniciou o pregão de 12 de fevereiro com alta de 0,37%, cotado a US$ 5,29 por bushel. O movimento foi influenciado pelo frio intenso na Rússia, que ameaça cultivos de inverno, e pela expectativa de divulgação de relatórios do USDA sobre vendas semanais de exportação, que costumam provocar volatilidade no curto prazo.
Após três sessões consecutivas de queda, o trigo fechou em alta na CBOT. Contratos de março encerraram a US$ 5,37 1/4 por bushel (+1,70%), e contratos de maio a US$ 5,45 1/4 (+1,34%). O relatório de fevereiro do USDA estimou estoques finais dos EUA em 931 milhões de bushels, ante 926 milhões anteriormente, enquanto os estoques globais foram projetados em 277,51 milhões de toneladas, contra 278,25 milhões no relatório anterior.
Na Europa, o trigo para moagem na Euronext de Paris fechou março a 190,50 euros por tonelada, alta de 0,53%, sustentado por compras técnicas e preocupações climáticas.
A seca nas Grandes Planícies dos EUA e o frio intenso na Rússia, aliados a atrasos logísticos na região do Mar Negro, elevam o risco de perdas e contribuem para manter os prêmios de risco elevados. Esses fatores sustentam as cotações internacionais e impactam diretamente os preços do trigo no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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