Publicado em: 11/12/2023 às 11:10hs
De acordo com as análises de Elcio Bento, especialista da SAFRAS & Mercado, essa dinâmica decorre da postura intransigente de quem possui trigo de qualidade superior para venda, elevando suas exigências. Essa abordagem encontra respaldo na quebra, tanto de produtividade quanto de qualidade, na safra nacional. Por outro lado, a indústria mostra-se hesitante em adquirir, antecipando uma possível queda nos preços com a entrada da oferta argentina.
Ambas as pontas do mercado têm argumentos consistentes para manter sua inflexibilidade. Os produtores focalizam o interesse de venda nos grãos de qualidade inferior, geralmente destinados à exportação. Enquanto isso, os compradores estão confiantes de que o novo governo argentino poderá reduzir ou isentar as retenciones (impostos sobre exportação), possibilitando cotações mais atrativas com base na paridade de importação. Contudo, há alguma desconfiança em relação à qualidade do trigo argentino, que também foi afetado pelas condições climáticas adversas.
Enquanto as bolsas norte-americanas registram altas superiores a 14% em oito sessões, as cotações no Brasil permanecem laterais. A Bolsa de Chicago reage à retomada da demanda e ao recente aumento nos preços na Rússia, mesmo com os embarques do Mar Negro reduzidos em novembro devido a condições climáticas adversas.
Elcio Bento destaca que, para que essa recuperação seja refletida no Brasil, é necessário que ela seja percebida na Argentina. Até o momento, o trigo argentino continua entre os mais acessíveis do mundo. Entretanto, é fundamental ficar atento à escalada nas bolsas norte-americanas. "Se ela se mantiver consistente, os compradores internacionais tendem a enxergar na Argentina uma alternativa interessante", explicou Bento.
O analista ressalta que essa percepção ganha relevância no contexto atual, com a quebra de safra na Austrália, principal fornecedor de trigo ao sudeste asiático. "É para esse destino que o trigo argentino e brasileiro, quando há excedentes, conseguem ser competitivos. Se os preços subirem na Argentina, pela paridade de importação, há espaço para alta no Brasil", destaca.
Produção Brasileira de Trigo em 2024 e Desafios Climáticos
A produção brasileira de trigo em 2024 é estimada em 8,143 milhões de toneladas, conforme o 3º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em comparação ao mês anterior, a previsão foi ajustada para baixo, repetindo os números da safra anterior.
A Conab aponta uma área plantada de 3,466 milhões de hectares, sem alterações em relação à temporada anterior. A produtividade indicada é de 2.349 quilos por hectare, comparada a 2.760 do mês anterior.
Nas culturas de inverno, a produtividade apresenta queda na maioria dos produtos em comparação à última safra. Para o trigo, as adversidades climáticas, como chuvas volumosas, ventanias, granizo, enchentes, nebulosidade excessiva e poucos dias com sol, dificultam a conclusão da colheita no Rio Grande do Sul.
Segundo a Emater/RS, os trabalhos atingiram 99% da área gaúcha. Apesar disso, o clima não deve mais impactar positiva ou negativamente nos números da safra. Ajustes na produção ainda podem ocorrer, possivelmente para baixo, considerando os impactos anteriores das condições meteorológicas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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