El Niño aumenta risco de queda na qualidade do trigo na safra 2026/27 no Brasil, aponta relatório
Clima adverso, redução de área e custos elevados devem reduzir produção e pressionar a qualidade do trigo, com impacto direto no mercado e na necessidade de importações.
Publicado em: 25/06/2026 às 10:30hs
A safra de trigo 2026/27 no Brasil deve enfrentar um cenário de retração na produção e aumento dos riscos de qualidade, influenciado pela atuação do fenômeno El Niño e por condições econômicas desfavoráveis ao produtor.
Os dados fazem parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que aponta queda estimada de cerca de 20% na produção nacional do cereal.
Produção de trigo deve recuar com menor área e produtividade
Segundo as projeções, a redução da produção está associada à combinação de menor área plantada e queda na produtividade das lavouras.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima recuo de 13,4% na área destinada ao cultivo de trigo. Somado a uma produtividade projetada 7,6% menor, o resultado esperado é uma colheita de aproximadamente 6,2 milhões de toneladas, cerca de 20% abaixo da safra anterior.
De acordo com a analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, Marina Marangon, o cenário de custos elevados contribui para a cautela do produtor na tomada de decisão.
“O aumento dos custos de produção também tem levado os produtores a adotarem postura mais cautelosa, limitando a expansão de área e os investimentos em manejo tecnológico, o que reforça o viés de baixa na produção”, explica.
El Niño aumenta pressão sobre qualidade do trigo
Além dos fatores econômicos, o clima será determinante para o desempenho da safra. A confirmação do fenômeno El Niño adiciona incertezas ao desenvolvimento das lavouras, especialmente na região Sul do país, principal polo produtor de trigo.
Embora o fenômeno possa favorecer a disponibilidade hídrica inicial, o excesso de chuvas ao longo do ciclo tende a elevar a pressão de doenças e prejudicar a qualidade do grão na fase final de desenvolvimento.
Esse comportamento climático pode impactar diretamente parâmetros industriais importantes, como força de glúten e padrão de classificação do trigo.
Mercado deve operar com preços firmes e dependência de importações
No mercado interno, a expectativa é de preços mais firmes durante a entressafra, impulsionados pela redução da oferta nacional e pela maior necessidade de importação para suprir o consumo doméstico.
A paridade de importação deve seguir como principal referência de formação de preços no Brasil, mantendo forte influência do mercado internacional.
Apesar disso, o cenário global ainda apresenta boa oferta de trigo, o que tende a limitar movimentos mais expressivos de alta nas cotações.
Câmbio e trigo argentino seguem como fatores-chave
Segundo o relatório, os preços domésticos devem permanecer sensíveis principalmente a dois fatores: a variação cambial e a competitividade do trigo argentino, tradicional fornecedor do Brasil.
Com isso, o mercado brasileiro deve seguir em equilíbrio instável, combinando oferta interna menor, dependência externa e forte influência de variáveis macroeconômicas e climáticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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