Aveia, Trigo e Cevada

Colheita do trigo avança no RS, mas baixa rentabilidade preocupa e pode reduzir área em 2026

FecoAgro/RS alerta que os preços baixos e o aumento dos custos de produção devem desestimular o cultivo do cereal na próxima safra


Publicado em: 13/11/2025 às 10:55hs

Colheita do trigo avança no RS, mas baixa rentabilidade preocupa e pode reduzir área em 2026
Foto: CNA
Colheita do trigo chega à metade no Rio Grande do Sul

A colheita da safra de trigo 2025 no Rio Grande do Sul segue em ritmo acelerado, com cerca de 50% da área já colhida, segundo informações da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS). A atualização foi feita durante reunião do Conselho da entidade, que destacou a preocupação com a baixa rentabilidade enfrentada pelos produtores.

De acordo com o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, ainda é difícil determinar o percentual exato da colheita, já que há divergência entre os dados técnicos das cooperativas. “Os produtores que utilizaram mais tecnologia conseguiram melhores resultados, embora abaixo do esperado. Muitos tinham expectativa de colher 70 a 80 sacas por hectare, mas esse resultado ficou comprometido”, explicou.

Produtividade dependeu do uso de tecnologia

Pires destacou que o baixo uso de tecnologia foi um dos principais fatores que limitaram a produtividade neste ciclo. “O produtor atuou, digamos, em legítima defesa. Ele manteve o trigo por tradição e facilidade de manejo, mas optou por investir menos, o que acabou comprometendo o desempenho da lavoura”, afirmou.

O dirigente acrescentou que os resultados da safra incluem grãos de menor qualidade, menor volume de produção e redução na quantidade de palha, o que impacta também a preservação do solo. A estimativa da FecoAgro/RS é que o Estado produza cerca de 3,7 milhões de toneladas neste ciclo.

Preços baixos comprometem renda e desanimam produtores

Apesar da boa produtividade em algumas regiões, os preços baixos do trigo têm frustrado as expectativas dos produtores. “Infelizmente, o preço é muito ruim, e o produtor está decepcionado com a renda. É provável que tenhamos redução de área plantada no próximo ano, o que é uma pena, já que o trigo é uma cultura importante para o Estado”, lamentou Pires.

Segundo cálculos da área técnica da FecoAgro/RS, um produtor que colheu 50 sacas por hectare (cerca de 3 mil quilos) e vendeu a produção a R$ 56,00 por saca teve um prejuízo equivalente a 11 sacas por hectare. “Isso mostra a gravidade da situação. O resultado financeiro da cultura está muito ruim”, enfatizou o presidente.

Canola surge como alternativa para o inverno

Em contraste com o trigo, a canola vem despertando maior interesse entre os produtores gaúchos. Embora ainda ocupe uma área reduzida, o cultivo deve crescer de forma significativa nas próximas safras.

“Há limitações, como a dependência de sementes importadas e o fato de ainda ser uma cultura em aprendizado. Mas o aumento de área é positivo, inclusive para o trigo, pois a rotação de culturas ajuda no controle de plantas daninhas, doenças e melhora o sistema produtivo”, ressaltou Pires.

Rentabilidade segue baixa e falta de seguro preocupa

A FecoAgro/RS alerta que a rentabilidade das culturas de inverno continua baixa, agravada pela falta de seguro agrícola e cobertura do Proagro. “A perspectiva de lucro para o produtor é muito ruim. O risco é elevado, e praticamente todas as lavouras estão sendo feitas sem proteção. Além disso, não há políticas públicas que indiquem uma mudança nesse cenário”, afirmou o presidente da entidade.

Pires conclui reforçando a necessidade de melhores condições de mercado e apoio governamental para manter a sustentabilidade da produção. “Tomara que esses preços melhorem, porque o produtor está sem margem. Precisamos de políticas que assegurem renda mínima e incentivem a continuidade das culturas de inverno no Estado”, finalizou.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --