Publicado em: 11/09/2023 às 10:10hs
“A principal preocupação é nas regiões em que as lavouras estavam prontas para serem colhidas. No Paraná era quase a metade da área plantada. No Rio Grande do Sul ainda não existem lavouras nesse estágio. Além do prejuízo à qualidade, o volume das precipitações e os ventos fortes podem gerar acamamento e maior incidência de doenças”, disse.
Se os prejuízos ainda são difíceis de se contabilizar, a resposta do mercado ficou bastante clara. Na última semana, houve reportes expressivos de negócios. No Paraná, lotes da safra velha foram negociados entre R$ 1.150 e R$ 1.180 a tonelada. Safra nova de R$ 1.000 a R$ 1.050 a tonelada. Os volumes de safra nova não chegaram a ser de lotes de grande porte. Porém, muitos agentes estavam no mercado. No Rio Grande do Sul, os reportes eram pontuais. Safra velha por volta de R$ 1.150 a tonelada e nova entre R$ 1.000 e R$ 1.100 a tonelada.
No início desta semana, o mercado esvaziou. Os produtores paranaenses passaram a fixar milho e segurar o trigo. No Rio Grande do Sul, os agentes do lado comprador indicam interesse a R$ 1.050/tonelada para pagamento em 30 dias e a R$ 1.150/tonelada para retirada em outubro e pagamento em novembro. Da mesma forma que no Paraná, os produtores saíram do mercado e abriram o spread de suas pedidas em relação às ofertas.
A colheita da safra 2022/23 de trigo está em 11,7% da área estimada para a temporada 2022/23 nos sete principais estados produtores do Brasil (Goiás, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul que representam 99,9% do total), conforme levantamento semanal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com dados recolhidos até 3 de setembro. Na semana anterior, a ceifa estava em 6,9%. Em igual período do ano passado, o número era de 8%.
A produção brasileira de trigo em 2023 deverá ficar em 10,871 milhões de toneladas, segundo o 12o levantamento para a safra brasileira de grãos da Conab. No ano passado, a safra ficou em 10,554 milhões de toneladas. A Conab indica uma área plantada de 3,450 milhões de hectares. Em 2022, a área ocupou 3,086 milhões de hectares. A produtividade está estimada em 3.135 quilos por hectare, contra os 3.420 quilos estimados no ano.
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em seu relatório semanal, que a colheita atingiu 26% da área cultivada de 1,409 milhão de hectares. A área deve ser 14% maior do que em 2022, quando cultivou 1,237 milhão de hectares.
As lavouras de trigo do Rio Grande do Sul estão, predominantemente em estágios reprodutivos. Segundo boletim semanal da Emater/RS, são 32% em germinação ou desenvolvimento vegetativo, 49% em floração, 18% em enchimento de grãos e 1% em maturação. O crescimento das plantas está adiantado na comparação com a média dos últimos anos. Na última semana, houve grande variação climática, com formação de geadas em partes do estado no amanhecer do dia 28 de agosto. De 1º a 3 de setembro, foram registradas chuvas torrenciais, gerando um ambiente desfavorável ao cultivo.
A Bolsa de Cereais de Buenos Aires cortou em 100 mil hectares a área plantada com trigo na Argentina, devido ao clima seco durante a semeadura. Na última semana, a ocorrência de chuvas favoreceu a melhora da condição hídrica do país. As lavouras se dividem entre excelentes/boas (18%), normais (58%) e regulares/ruins (25%). Na semana passada, eram 19% entre excelentes e boas. Um ano atrás, 18%. Atualmente, são 30% em déficit hídrico, contra 35% na semana passada. Um ano atrás, eram 35%.
Fonte: Agência SAFRAS
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