Publicado em: 10/08/2016 às 15:45hs
No entanto, a principal novidade no discurso do governo é que o Brasil vai buscar autossuficiência no trigo, aponta o analista sênior da Consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco.
“A retirada das taxas de importação do trigo americano e canadense somente igualaria as condições, sem dar outros privilégios, a estes trigos em relação ao que o trigo argentino já goza atualmente. Em termos de condições normais de mercado, o trigo argentino tem um frete menor para acessar os portos brasileiros (paga cerca de US$ 12-15 dólares, contra US$ 15-17 dos americanos). O trigo americano tem forte tradição no Norte e Nordeste do Brasil e o trigo argentino no Sul e Sudeste do país e isto deverá continuar”, analisa Pacheco.
De acordo com ele, “a frase mais importante do Ministro não foi a liberação das taxas de importação dos trigos dos EUA e do Canadá, mas que o Brasil irá buscar, de agora em diante, equilibrar a sua produção e o seu consumo. Embora não tenha enfatizado muito isso, ficou claro que buscará a autossuficiência. Dirigindo-se aos triticultores brasileiros no início deste mês, o Ministro disse que o trigo deve buscar a sua própria lucratividade e não amparar-se nos recursos do governo, que passaram a ser escassos”.
“Desde que o governo Collor extinguiu o CTRIN em 1990 (em que o governo era o grande comprador do trigo brasileiro) e o mercado passou a andar pelas próprias pernas, a produtividade do trigo no RS passou de 920 quilos/hectare para mais de 2.750 kg/ha, mostrando o acerto desta medida e do posicionamento do novo ministro brasileiro”, relembra.
“Somente no Cerrado brasileiro há mais de dois milhões de hectares cultiváveis localizados a mais de 800 metros de altitude – ideais para a produção de trigo. A produtividade nestas regiões é de mais de 3.000 quilos/hectare, significando, assim, um potencial produtivo de mais de 6,0 milhões de toneladas anuais, de trigo com qualidade igual à dos EUA e Canadá (já comprovada).
Fonte: Agrolink
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