Publicado em: 21/05/2026 às 18:20hs
O avanço das importações de arroz em um momento de ampla oferta interna preocupa o setor orizícola brasileiro. Para o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina, a entrada adicional do grão em um cenário de produção suficiente para abastecer o mercado nacional pode comprometer o escoamento da safra brasileira e ampliar os prejuízos ao produtor e à indústria.
A entidade defende que as decisões relacionadas à importação sejam baseadas em critérios técnicos e planejamento estratégico de longo prazo, evitando desequilíbrios em períodos de superoferta.
Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apontam que o Brasil lidera a produção de arroz no Mercosul e responde sozinho por 37,4% de toda a produção de arroz da América Latina e Caribe na safra 2024/25.
No ciclo atual, a produção brasileira alcançou 10,6 milhões de toneladas, volume suficiente para atender o consumo interno, estimado em cerca de 10,5 milhões de toneladas anuais.
Além de ocupar a liderança regional em área colhida, o país também se destaca pela produtividade das lavouras, consolidando sua posição como principal produtor de arroz da região.
Segundo o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a importação em períodos de elevada oferta interna aumenta a pressão sobre os preços e prejudica a competitividade da cadeia produtiva nacional.
De acordo com a entidade, produtores e indústrias brasileiras enfrentam custos tributários e operacionais superiores aos praticados por concorrentes estrangeiros, o que dificulta a disputa de mercado em momentos de excesso de oferta.
O setor afirma que esse cenário pode provocar descapitalização de produtores e indústrias, comprometendo investimentos e reduzindo a capacidade financeira da cadeia orizícola para as próximas safras.
Apesar das críticas ao aumento das importações em períodos de superoferta, o SindArroz-SC reconhece que a compra externa de arroz é importante em situações emergenciais, principalmente quando eventos climáticos extremos afetam regiões produtoras e colocam em risco o abastecimento nacional.
Nesses casos, a importação atua como instrumento de equilíbrio do mercado e de garantia da segurança alimentar da população.
Para a entidade, o desafio está em construir mecanismos de gestão que permitam previsibilidade e equilíbrio entre oferta, demanda e abastecimento.
O sindicato defende a criação de um planejamento multi-institucional envolvendo produtores, indústrias, entidades representativas e órgãos públicos estaduais e federais.
A proposta é desenvolver estratégias que permitam ajustar a oferta de arroz ao consumo interno, evitando tanto a superoferta quanto a escassez do produto no mercado brasileiro.
Segundo Rampinelli, oscilações extremas prejudicam toda a cadeia produtiva.
“Quando há excesso de oferta, o produtor perde renda e compromete a próxima safra. Já em períodos de escassez, o consumidor enfrenta preços elevados e dificuldade de acesso ao alimento”, afirma.
Além do controle equilibrado das importações, o SindArroz-SC também defende políticas de incentivo à diversificação das culturas agrícolas.
A entidade sugere que o Companhia Nacional de Abastecimento utilize dados de produção e consumo para orientar o planejamento agrícola nacional e estimular o remanejamento de áreas para outras culturas estratégicas.
Segundo o sindicato, programas de subsídios e incentivos poderiam ajudar produtores a diversificar a produção, reduzindo riscos econômicos, evitando excedentes e fortalecendo a segurança alimentar do país.
O objetivo, segundo a entidade, é construir um modelo mais equilibrado para o setor, garantindo renda ao produtor, estabilidade ao mercado e oferta regular de alimentos ao consumidor brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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