Safra de arroz da Índia pode cair para 147 milhões de toneladas e pressionar preços globais
Déficit das chuvas reduz área cultivada e leva USDA a projetar a primeira queda anual da produção indiana desde 2015/16; estoques recordes ainda limitam riscos às exportações
Publicado em: 23/09/2026 às 10:20hs
O mercado mundial de arroz acompanha com atenção a redução esperada na safra da Índia, maior referência global do setor. A combinação entre chuvas abaixo da média, retração da área cultivada e preços em alta aumenta as incertezas sobre a oferta internacional, embora os elevados estoques indianos reduzam, por enquanto, o risco de restrições às exportações.
Em setembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu de 150 milhões para 147 milhões de toneladas beneficiadas sua estimativa para a produção indiana de arroz em 2026/27. Caso confirmada, será a primeira queda anual desde a temporada 2015/16.
Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia produtiva do arroz, as projeções da indústria indiana são ainda mais conservadoras. O setor estima uma colheita próxima de 144 milhões de toneladas, ante 154 milhões de toneladas na safra anterior.
A diferença representa uma redução de aproximadamente 10 milhões de toneladas, ou 6,5%, configurando a maior retração da produção indiana em quase duas décadas.
Chuvas abaixo da média comprometem safra indiana
O clima é apontado como o principal fator de pressão sobre a produção de arroz da Índia. Desde o início do período de monções, as precipitações acumuladas estavam 15% abaixo da média histórica.
Em importantes regiões produtoras, o déficit hídrico alcançava 42%. As condições desfavoráveis também reduziram em quase 4% a área cultivada com arroz de verão, responsável por mais de 80% da produção nacional.
A menor disponibilidade de água durante etapas decisivas do desenvolvimento das lavouras aumenta as dúvidas sobre o potencial produtivo e reforça a atenção dos compradores internacionais.
Preço do arroz indiano atinge maior nível em mais de um ano
As preocupações com a safra já começaram a influenciar as cotações. O arroz parboilizado indiano com 5% de quebrados passou a ser negociado entre US$ 375 e US$ 381 por tonelada, maior patamar em mais de um ano.
Poucas semanas antes, os preços oscilavam entre US$ 364 e US$ 369 por tonelada. A valorização reflete a expectativa de menor produção e a possibilidade de uma oferta mais limitada para exportação ao longo da temporada.
Estoques recordes reduzem risco de restrições às exportações
Apesar da perspectiva de quebra da safra, a Índia mantém estoques elevados. Em 1º de setembro, os estoques públicos, incluindo o arroz ainda em casca, totalizavam 59,6 milhões de toneladas.
O USDA também elevou para o recorde de 58,5 milhões de toneladas beneficiadas sua estimativa para os estoques finais indianos da temporada 2025/26.
Esse volume oferece margem para compensar parte da redução produtiva e diminui, no curto prazo, a possibilidade de novas restrições ao comércio exterior. O impacto efetivo sobre o mercado dependerá, contudo, da quantidade de arroz que estará disponível para exportação e dos preços exigidos pelos fornecedores indianos.
Produção mundial de arroz também é revisada para baixo
O cenário da Índia ganha importância porque a estimativa para a produção mundial também foi reduzida. O USDA cortou em 3,4 milhões de toneladas sua projeção para a safra global de arroz 2026/27, agora calculada em 533,9 milhões de toneladas.
Com menor produção prevista e cotações indianas em recuperação, o mercado deverá acompanhar o comportamento das chuvas, a evolução das lavouras e a política comercial da Índia. Embora os estoques elevados funcionem como proteção, uma redução mais acentuada da oferta exportável poderá sustentar os preços internacionais nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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