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Safra de arroz 2025/26 deve enfrentar incertezas, crédito restrito e pressão nos custos

Federarroz alerta para juros elevados, dólar em queda e risco de redução na área plantada no Rio Grande do Sul


Publicado em: 23/04/2026 às 10:40hs

Safra de arroz 2025/26 deve enfrentar incertezas, crédito restrito e pressão nos custos
Foto: Paulo Rossi

A próxima safra de arroz no Rio Grande do Sul começa a ser projetada em um cenário de incertezas e preocupação entre os produtores. De acordo com a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), fatores como crédito restrito, juros elevados e a queda do dólar devem impactar diretamente o planejamento da nova temporada.

Segundo o presidente da entidade, Denis Dias Nunes, o setor pode manter ou até reduzir a área de plantio, refletindo o aumento do endividamento dos produtores e os preços ainda considerados baixos no mercado.

Endividamento e preços pressionam decisões no campo

Mesmo com uma recuperação recente nas cotações, muitos produtores têm optado por segurar a venda do arroz, aguardando condições mais favoráveis de mercado. Esse comportamento, segundo a Federarroz, reflete a necessidade de melhorar a rentabilidade diante de custos elevados e margens apertadas.

Além disso, o início de um novo ciclo produtivo ocorre em um contexto financeiro mais desafiador, o que reforça a cautela na tomada de decisão sobre o plantio.

Comercialização lenta e estratégia com a soja influenciam mercado

Outro fator relevante é o ritmo mais lento da colheita atual, que contribui para uma comercialização mais gradual do arroz. No início da safra, o forte volume de exportações garantiu entrada de recursos, reduzindo a necessidade de venda imediata do produto.

Com a proximidade da colheita da soja, a tendência é que muitos produtores utilizem a oleaginosa como fonte de caixa, adiando ainda mais a comercialização do arroz na expectativa de melhores preços.

Exportações ganham importância para sustentar preços

A Federarroz destaca que as exportações seguem como um dos principais instrumentos para reduzir os estoques internos e dar sustentação às cotações do arroz no mercado doméstico.

Nesse contexto, a entidade avalia como positiva a liberação de R$ 56 milhões pelo Ministério da Agricultura para apoiar a comercialização do produto. Os recursos serão destinados à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que deverá operar mecanismos como o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro).

Custos elevados seguem como principal desafio

Apesar das estratégias de comercialização, o custo de produção permanece como um dos principais pontos de atenção para os produtores. Os preços dos fertilizantes continuam elevados, influenciados por fatores externos, como tensões geopolíticas e a valorização de insumos ligados ao petróleo e combustíveis.

Esse cenário tende a impactar tanto a área plantada quanto o nível de tecnologia empregado nas lavouras na próxima safra.

Queda do dólar reduz competitividade das exportações

A desvalorização do dólar, embora possa aliviar parcialmente os custos de importação de insumos, também traz efeitos negativos para o setor. Isso porque a moeda mais fraca reduz a competitividade das exportações de arroz e soja, pressionando a rentabilidade do produtor.

Próxima safra ainda é uma incógnita

Diante da combinação de crédito restrito, custos elevados, cenário cambial desfavorável e incertezas de mercado, a próxima safra de arroz ainda é considerada indefinida.

A orientação do setor é de cautela e acompanhamento constante das condições de mercado nos próximos meses, já que as decisões tomadas agora poderão impactar diretamente os resultados da temporada 2025/26.

Fonte: Portal do Agronegócio

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