Publicado em: 14/01/2026 às 12:00hs
O início da transição para o novo sistema tributário brasileiro já começa a impactar o ambiente de negócios do setor de alimentos, especialmente o mercado do arroz. De acordo com Sergio Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, o cereal passa a integrar a Cesta Básica Nacional, beneficiando-se da alíquota zero de IBS e CBS no modelo definitivo previsto pela reforma.
Embora a isenção integral esteja programada apenas para 2027, o processo de adaptação começa agora, com empresas revisando estratégias e ajustando seus processos fiscais e operacionais. Essa fase de transição deve trazer maior previsibilidade tributária e reduzir as incertezas que historicamente dificultaram o planejamento no setor.
Segundo especialistas, o novo modelo tende a diminuir o chamado “ruído tributário”, gerando impactos mais perceptíveis sobre o consumo do que sobre a estrutura de mercado no curto prazo. A estabilidade fiscal poderá facilitar decisões econômicas e investimentos, mas os efeitos positivos devem se consolidar gradualmente até a plena vigência do novo sistema.
Apesar do avanço institucional representado pela reforma, o mercado do arroz ainda enfrenta desafios econômicos persistentes. A oferta elevada e os altos estoques continuam pressionando os preços e comprimindo as margens da indústria, o que reduz os ganhos esperados no curto prazo.
Além disso, a dependência das exportações permanece como fator determinante para o equilíbrio do mercado interno, tornando o setor altamente sensível às condições externas, como demanda global e variações cambiais.
No contexto do Mercosul, aspectos como custo de produção, eficiência logística, volatilidade cambial e coordenação comercial seguem como pontos-chave para a competitividade do arroz brasileiro. A reforma tributária, embora não altere diretamente esses fundamentos, cria um ambiente regulatório mais estável, permitindo que decisões econômicas sejam tomadas com menor grau de incerteza.
Com o avanço da transição tributária, o mercado do arroz passa a operar sob novas regras fiscais, mas o desempenho do setor continuará condicionado principalmente às dinâmicas de oferta e demanda. O movimento reforça que o impacto mais profundo para os produtores e a indústria deve vir das condições econômicas e mercadológicas, mais do que das mudanças fiscais em si.
Fonte: Portal do Agronegócio
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