Publicado em: 27/05/2026 às 10:45hs
A produção de arroz no Baixo São Francisco alagoano registrou crescimento expressivo nos últimos três anos, consolidando a região como um dos principais polos da rizicultura nordestina. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a produção de arroz em casca saltou de 17 mil toneladas em 2023 para mais de 24 mil toneladas em 2025, avanço de 41%.
O desempenho positivo é resultado das ações do Programa Alagoas Mais Arroz, iniciativa vinculada ao Planta Alagoas e coordenada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagri). O programa vem promovendo investimentos em assistência técnica, mecanização agrícola, capacitação de produtores e incentivo à tecnificação da cultura.
Segundo o IBGE, a safra estadual alcançou 19 mil toneladas em 2024, crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Já a área colhida no Baixo São Francisco chegou a 2.691 hectares em 2025, com produtividade média de 8,47 toneladas por hectare.
Entre os municípios produtores, Igreja Nova apresentou o melhor desempenho na safra 2025/2026, alcançando produção de 12,5 mil toneladas de arroz em casca e produtividade média de 9,74 toneladas por hectare.
Na sequência aparecem Porto Real do Colégio, com produção de 10,6 mil toneladas e produtividade de 8,34 toneladas por hectare, e Penedo, com produtividade média de 8,19 toneladas por hectare.
Os resultados reforçam o potencial produtivo da região do Baixo São Francisco, considerada estratégica para o avanço da rizicultura em Alagoas.
Desde 2024, o Governo de Alagoas intensificou as ações de fortalecimento da cadeia produtiva do arroz. Entre as medidas implementadas estão incentivos fiscais, entrega de máquinas agrícolas e ampliação da assistência técnica e extensão rural para os produtores.
Em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão, sediada em Goiás, a Seagri também promoveu capacitações voltadas à melhoria do manejo, escolha de sementes e adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade e reduzir custos de produção.
De acordo com o secretário de Agricultura e Pecuária de Alagoas, Marcelo Melo, a próxima etapa do programa prevê a introdução de arrozes especiais, como variedades de arroz preto e vermelho, com maior valor agregado.
Além disso, o governo pretende ampliar o cultivo do arroz de sequeiro no município de Penedo, diversificando ainda mais a produção estadual.
Atualmente, Alagoas possui consumo interno médio de cerca de 87 mil toneladas de arroz por ano. O crescimento da produção local é visto como estratégico para reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança alimentar no estado.
Estudos da Embrapa indicam que o Baixo São Francisco reúne condições climáticas e de solo altamente favoráveis ao cultivo do arroz, permitindo produtividades competitivas, inclusive superiores às registradas em regiões tradicionais produtoras, como o Rio Grande do Sul.
Além do impacto econômico, a rizicultura desempenha papel importante na geração de renda para agricultores familiares e na movimentação das usinas beneficiadoras instaladas na região.
Os produtores locais avaliam positivamente os resultados obtidos com a capacitação técnica promovida pelo programa estadual.
O rizicultor Lindomar Bispo destacou que, apesar dos preços do arroz não terem atingido os níveis esperados neste ano, os ganhos de produtividade ajudaram a compensar parte das dificuldades do mercado.
Segundo ele, o acesso às orientações técnicas e às novas variedades recomendadas pela Embrapa permitiu produzir mais com menor custo operacional, abrindo novas perspectivas para a rizicultura alagoana.
Com os investimentos em tecnologia, assistência técnica e diversificação da produção, a expectativa do setor é de continuidade no crescimento da cadeia produtiva do arroz em Alagoas nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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