Preço do arroz sobe 6,18% em setembro no RS com oferta restrita e negócios lentos
Retenção dos produtores sustenta cotações do arroz em casca, enquanto vendas fracas ao consumidor e margens comprimidas limitam as compras da indústria
Publicado em: 05/10/2026 às 16:00hs
Os preços do arroz encerraram setembro em alta no Rio Grande do Sul, apesar do baixo volume de negócios no mercado brasileiro. A oferta restrita e a pouca disposição dos produtores para vender sustentaram as cotações, enquanto a lentidão das vendas ao consumidor limitou a demanda industrial.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul fechou o dia 30 de setembro em R$ 84,26, considerando produto com rendimento de 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista. A referência avançou 1,47% em relação à semana anterior e 6,18% frente ao mesmo período de agosto. Na comparação com 2025, a valorização alcançou 41,65%.
Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a firmeza dos preços esteve associada principalmente à baixa disponibilidade de lotes efetivamente colocados à venda, e não a um fluxo intenso de comercialização.
Produtores retêm arroz e reduzem pressão sobre as cotações
A comercialização permaneceu lenta tanto no arroz em casca quanto no beneficiado. Na origem, a retenção dos produtores dificultou movimentos mais expressivos de queda, mesmo com compradores pouco ativos.
Esse comportamento foi especialmente evidente na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Conforme Oliveira, os volumes negociados foram reduzidos, enquanto os produtores mantiveram elevada retenção e não demonstraram necessidade generalizada de venda imediata.
Uruguaiana continuou como uma referência importante para acompanhar a disposição vendedora. A pequena oferta disponível para negociação ajudou a manter os preços do arroz em casca firmes, mesmo sem uma demanda doméstica mais intensa.
Nesse ambiente, parte das referências de mercado permaneceu predominantemente nominal, com poucas operações para confirmar os valores indicados por compradores e vendedores.
Indústria faz compras seletivas diante de margens apertadas
Na outra ponta da cadeia, indústrias e distribuidoras enfrentaram dificuldade para ampliar as vendas e repassar custos ao varejo. A combinação de giro lento e margens comprimidas restringiu a capacidade de compra de matéria-prima.
Com isso, os compradores priorizaram aquisições seletivas e oportunidades pontuais, evitando ampliar os volumes negociados.
O resultado foi um mercado com pouca movimentação: os produtores limitaram a oferta, enquanto a indústria encontrou dificuldades para pagar valores mais elevados diante do desempenho das vendas finais.
Alta no varejo pode melhorar capacidade de compra
O movimento de alta dos preços no varejo começou a aliviar parcialmente a pressão sobre as margens, segundo o consultor. Ainda assim, os sinais observados não foram suficientes para indicar uma recuperação completa da rentabilidade.
A continuidade desse movimento poderá ampliar a capacidade da indústria de pagar pelo arroz na origem. Caso o repasse ao consumidor não avance, a sustentação das cotações seguirá mais dependente da demanda externa.
Exportações ajudam a sustentar o mercado de arroz
Os embarques brasileiros de arroz apresentaram ritmo considerado razoável em setembro, contribuindo para dar suporte ao mercado em um período de baixa liquidez doméstica.
Na avaliação de Oliveira, a balança comercial do setor tende a encerrar o mês praticamente equilibrada.
O comportamento das exportações, a disposição dos produtores para negociar e a evolução das vendas no varejo permanecem como fatores centrais para a formação dos preços do arroz.
Fonte: Portal do Agronegócio
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