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Preço do arroz recua 5% em junho após dois meses de alta, aponta relatório do Itaú BBA

Comercialização da safra 2025/26 avança com pressão de oferta, demanda interna cautelosa e exportações ainda abaixo da média histórica


Publicado em: 25/06/2026 às 10:40hs

Preço do arroz recua 5% em junho após dois meses de alta, aponta relatório do Itaú BBA
Foto: Paulo Rossi
Preço do arroz recua 5% em junho e mercado segue pressionado por oferta e demanda moderada

Os preços do arroz voltaram a registrar queda após dois meses consecutivos de valorização no mercado brasileiro. De acordo com dados do Agro Mensal, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, a saca de 50 kg encerrou o dia 11 de junho cotada a R$ 59,27, recuo de 5% em relação ao início de maio.

O movimento reflete um cenário de maior equilíbrio entre oferta e demanda, embora ainda marcado por comportamentos distintos entre produtores, indústria e mercado externo.

Comercialização da safra avança com comportamento divergente

Com a colheita da safra 2025/26 já concluída, o mercado passou a se concentrar na fase de comercialização. No entanto, o ritmo de vendas tem variado entre os produtores.

Parte dos orizicultores mantém postura mais cautelosa, segurando estoques diante de preços considerados abaixo do custo de produção. Outra parcela, por sua vez, aumentou a oferta no mercado físico, motivada por necessidade de liquidez e compromissos financeiros.

Esse cenário contribui para um fluxo irregular de oferta, dificultando a recomposição mais consistente dos preços no curto prazo.

Indústria adota postura defensiva e reduz formação de estoques

Do lado da indústria, o comportamento tem sido marcado por cautela. As compras seguem pontuais, com baixo interesse na formação de estoques, em função da desaceleração nas vendas de arroz beneficiado no varejo.

Ainda assim, alguns elos da cadeia apresentam níveis de estoque mais enxutos, o que pode abrir espaço para uma retomada gradual das compras voltadas à recomposição ao longo dos próximos meses.

Leilões da Conab ajudam no escoamento da produção

A oferta disponível no mercado também foi influenciada pelas operações realizadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entre maio e o início de junho, por meio dos mecanismos de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (PEPRO).

As ações contribuíram para o escoamento de parte do excedente, mas ainda não foram suficientes para reverter o quadro de pressão causado pela oferta elevada.

Exportações avançam, mas seguem abaixo da média histórica

No mercado externo, as exportações de arroz apresentaram recuperação após o recuo expressivo registrado em abril. Em maio, os embarques somaram 141 mil toneladas, superando o volume do mesmo período de 2025.

Apesar da melhora, o resultado ainda permanece abaixo da média dos últimos cinco anos, indicando que o comércio internacional segue como um fator de suporte limitado para o equilíbrio do mercado interno.

No início de junho, os embarques continuaram em bom ritmo, favorecidos pela valorização do dólar, que aumentou a competitividade do produto brasileiro no exterior.

Mercado ainda busca equilíbrio entre oferta e demanda

O cenário atual do arroz no Brasil reflete um mercado em transição, no qual a combinação de produção elevada, demanda interna mais fraca e exportações ainda irregulares mantém os preços sob pressão.

A expectativa dos agentes é de que os próximos movimentos dependam do comportamento da demanda no varejo, da evolução dos estoques ao longo da cadeia e da competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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