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Preço do arroz cai no Rio Grande do Sul enquanto produção mundial deve recuar e consumo atingir recorde

Mercado brasileiro enfrenta baixa liquidez e pressão cambial, enquanto USDA projeta estoques globais menores e demanda crescente na safra 2026/27


Publicado em: 20/05/2026 às 13:40hs

Preço do arroz cai no Rio Grande do Sul enquanto produção mundial deve recuar e consumo atingir recorde
Foto: Fagner Almeida

O mercado de arroz em casca segue pressionado no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país. Segundo levantamentos do Cepea, a combinação entre baixa liquidez, postura cautelosa dos compradores e resistência dos produtores continua limitando os negócios e mantendo as cotações em trajetória de queda.

Além do ambiente interno mais fragilizado, a valorização do real frente ao dólar nas últimas semanas também contribuiu para enfraquecer os preços domésticos. Com a moeda norte-americana mais baixa, o arroz brasileiro perde competitividade no mercado internacional, reduzindo o ritmo das exportações e diminuindo uma importante fonte de sustentação das cotações.

Dólar mais fraco reduz competitividade do arroz brasileiro

Analistas apontam que o comportamento cambial tem sido decisivo para o desempenho do setor. A queda do dólar frente ao real encarece o produto brasileiro para compradores externos, justamente em um momento em que o mercado internacional vinha ajudando a equilibrar a oferta doméstica.

Com isso, a demanda internacional desacelerou, refletindo diretamente na formação de preços no mercado gaúcho. Ao mesmo tempo, produtores seguem retraídos nas negociações, aguardando melhores oportunidades de comercialização.

USDA projeta queda na produção global de arroz

Enquanto o mercado brasileiro enfrenta pressão, o cenário mundial começa a indicar um possível aperto entre oferta e demanda nos próximos ciclos.

De acordo com novas projeções divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de arroz beneficiado na safra 2026/27 deverá atingir 537,9 milhões de toneladas, volume 0,9% inferior ao registrado na temporada anterior.

A redução ocorre em meio a ajustes produtivos em importantes países exportadores e preocupações climáticas em algumas regiões produtoras da Ásia.

Consumo global deve bater recorde

Pelo lado da demanda, o USDA estima que o consumo mundial de arroz alcance um novo recorde histórico em 2026/27, totalizando 541,3 milhões de toneladas — avanço de 0,7% em relação à safra passada.

O crescimento do consumo acima da produção tende a reduzir os estoques globais e pode gerar maior sustentação para os preços internacionais no médio prazo.

Segundo o relatório, os estoques finais mundiais devem cair 1,8%, encerrando a temporada em 192,7 milhões de toneladas. Já a relação estoque/consumo deve recuar de 36,5% para 35,6%, indicando um mercado global menos confortável em termos de oferta.

Conab reduz estimativa da safra brasileira

No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também revisou levemente para baixo a estimativa da safra 2025/26, reforçando o cenário de atenção para o abastecimento futuro.

Apesar disso, o mercado interno ainda enfrenta dificuldades de recuperação no curto prazo, principalmente devido ao ritmo lento das negociações e à menor competitividade externa.

Mercado monitora exportações e comportamento cambial

Especialistas avaliam que o comportamento do dólar seguirá sendo um dos principais fatores para o mercado brasileiro de arroz nas próximas semanas. Uma eventual retomada da moeda norte-americana poderia favorecer as exportações e melhorar a formação de preços internos.

Além disso, a confirmação de uma produção global menor combinada com consumo recorde mantém o setor atento a possíveis mudanças no cenário internacional ao longo do segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

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