Publicado em: 13/02/2026 às 10:10hs
Em janeiro de 2026, os preços mundiais do arroz permaneceram, em média, estáveis, porém com comportamentos distintos entre os principais países exportadores, segundo levantamento da Origens.
Na Índia, a forte demanda de compradores africanos sustentou pequenas altas. Situação semelhante foi observada no Paquistão, onde os preços atingiram o maior patamar desde julho de 2025, impulsionados pelas vendas ao continente africano.
Por outro lado, Vietnã e Tailândia registraram retrações. No Vietnã, mesmo com a retomada das importações das Filipinas — seu principal mercado —, a demanda global enfraquecida e a oferta elevada pressionaram os preços. Já na Tailândia, a menor procura internacional reduziu as cotações.
No Brasil, os preços de exportação recuaram devido à ampla oferta e ao esforço de conquista de novos mercados, apesar da valorização de 2,5% do real frente ao dólar.
O índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) manteve-se estável em 182,9 pontos em janeiro, avançando levemente para 184 no início de fevereiro.
De acordo com estimativas da FAO, a produção global de arroz em 2025 cresceu 2%, alcançando 846 milhões de toneladas (equivalentes a 561,6 milhões beneficiadas), superando as 829,6 milhões de 2024 — o maior volume já registrado.
O crescimento foi impulsionado pelas colheitas robustas na Índia, China e Indonésia, que seguem como principais motores do aumento da produção mundial. A Índia expandiu sua produção em 1,7%, enquanto a China cresceu 0,6% e a Indonésia ampliou sua área cultivada.
Em contrapartida, a África Subsaariana e os Estados Unidos registraram leve queda na produção devido a condições climáticas adversas. No Mercosul, o destaque foi o Brasil, que teve aumento de 20% em relação a 2024.
O comércio mundial de arroz cresceu 1,7% em 2025, totalizando 61 milhões de toneladas. O avanço foi limitado pela menor demanda no Sudeste Asiático, especialmente da Indonésia, que praticamente saiu do mercado de importação.
Enquanto isso, as Filipinas reduziram suas compras em 15%, e a China elevou suas importações em 35%, aproveitando os preços mais baixos. O continente africano permaneceu como principal destino, com aumento de 15% nas importações.
Para 2026, as projeções apontam leve retração de 0,6%, para 60,6 milhões de toneladas.
Os estoques globais encerraram 2025 com aumento de 5,3%, totalizando 209,8 milhões de toneladas. A China concentra quase metade desse volume, com 102 milhões de toneladas, seguida pela Índia, que também elevou suas reservas em 12%. Para 2026, espera-se novo recorde, com 217,7 milhões de toneladas armazenadas — o equivalente a 40% do consumo global.
Em 2025, a Índia exportou 21,5 milhões de toneladas, respondendo por 35% do comércio mundial. Os preços permaneceram firmes — o arroz branco 5% foi cotado a US$ 350/t FOB. Para 2026, o país pretende ampliar embarques para até 25 milhões de toneladas.
A Tailândia exportou 7,9 milhões de toneladas em 2025, uma queda de 20% em relação a 2024. Para 2026, a previsão é de nova redução para 7 milhões de toneladas, afetada pela menor demanda da Indonésia.
Os preços do arroz tailandês 100%B recuaram para US$ 395/t, enquanto o parboilizado ficou em US$ 400/t.
O Vietnã teve queda de 1,5% nos preços de exportação, com volume total de 8 milhões de toneladas, contra 9,1 milhões em 2024.
Já o Paquistão registrou alta de 5% nos preços, impulsionado pela forte demanda africana e do Oriente Médio, mesmo com recuo de 30% nas exportações (de 6,5 Mt para 4,6 Mt).
A China continua fortalecendo sua posição de maior importadora da Ásia. Em 2025, as compras externas somaram 2,7 milhões de toneladas, alta de 30%, com projeções de superar 3 milhões em 2026. O país busca diversificar fornecedores, priorizando Paquistão, Camboja e Mianmar.
Nos Estados Unidos, as exportações caíram 30% em 2025, mas os preços se mantiveram firmes, com o Long Grain 2/4 cotado a US$ 565/t.
No Brasil, a ampla oferta interna pressionou as cotações, que recuaram mesmo com valorização cambial. O arroz em casca foi negociado a US$ 200/t, com tendência de alta no início de fevereiro.
A África Subsaariana encerrou 2025 com boas colheitas, mas a preferência dos consumidores pelo arroz asiático reduziu a competitividade da produção local. Ainda assim, o continente importou 22,3 milhões de toneladas, 15% acima de 2024, consolidando-se como o principal motor da demanda global em 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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