Arroz

Mercado do arroz encerra 2025 com estoques elevados e preços sob pressão, aponta Itaú BBA

Mesmo com avanço nas exportações, ampla oferta e altos estoques mantêm os preços do arroz estáveis no Brasil, segundo relatório do Itaú BBA


Publicado em: 21/01/2026 às 10:30hs

Mercado do arroz encerra 2025 com estoques elevados e preços sob pressão, aponta Itaú BBA
Foto: Paulo Rossi
Oferta alta e estoques limitam reação dos preços

O mercado do arroz brasileiro encerrou o ano de 2025 sob influência de uma ampla oferta interna e estoques elevados, fatores que impediram uma recuperação mais consistente dos preços, mesmo diante do avanço das exportações e de medidas de apoio à comercialização.

O levantamento faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

Apesar do aumento nos embarques externos, o volume disponível no mercado doméstico manteve as cotações estáveis. Em dezembro, o arroz com casca registrou queda de 3,1% frente a janeiro, com média de R$ 53,11 por saca de 50 kg no Rio Grande do Sul. Já nos primeiros dias de janeiro de 2026 (até o dia 13), houve leve alta de 0,4%, indicando certa sustentação nos preços.

Exportações ganham força, mas não aliviam estoques

Segundo o relatório, os leilões da Conab realizados em 23 de dezembro e a autorização para uso da taxa CDO como instrumento de apoio à cadeia produtiva ajudaram a impulsionar a comercialização, mas sem provocar altas significativas devido ao grande volume armazenado.

As exportações cresceram expressivamente no final de 2025: em dezembro, os embarques atingiram 251 mil toneladas, um aumento de 166% em relação a novembro e 20% acima de dezembro de 2024. A valorização do real frente ao dólar e os altos estoques domésticos contribuíram para o ritmo mais forte dos envios.

No acumulado do ano, as exportações (base casca) somaram 1,586 milhão de toneladas, superando o volume de 2024, mas ainda abaixo da média dos últimos cinco anos. Apesar do desempenho positivo, o escoamento externo ainda não foi suficiente para reduzir significativamente os estoques, servindo, no entanto, como reforço para consolidar o arroz brasileiro no mercado internacional.

Preços estáveis no atacado e impacto na cesta básica

No mercado atacadista, os preços permaneceram praticamente inalterados, passando de R$ 3,43/kg em dezembro para R$ 3,44/kg nos primeiros dias de janeiro.

De acordo com dados da Conab e do DIEESE, a retração dos preços do arroz foi um dos principais fatores que contribuíram para a queda no custo da cesta básica em dezembro.

Safra 2025/26: área menor e produção em queda

O plantio da safra 2025/26 está praticamente concluído, e as primeiras estimativas indicam uma redução de 8% na área cultivada em comparação ao ciclo anterior. A queda é atribuída aos preços mais baixos observados em 2025, reflexo direto dos altos estoques no Brasil e no cenário global.

Com área menor e expectativa de produtividade reduzida, a produção deve cair cerca de 12%. Mesmo assim, o mercado segue pressionado pelos grandes volumes de arroz armazenado, devendo sentir alívio apenas a partir do segundo semestre de 2026.

Segundo dados do USDA, a retração de área não é um fenômeno exclusivo do Brasil — entre os 16 maiores produtores mundiais, 10 países reduziram o plantio. A produção global deve cair 0,2% frente à safra 2024/25, marcando a primeira queda em uma década após um ciclo de recordes históricos.

México e Venezuela seguem no radar do comércio internacional

No cenário externo, o México revogou a isenção tarifária para o arroz com casca, estabelecendo uma cota de 200 mil toneladas para 2026. O país, que foi o terceiro maior destino das exportações brasileiras em 2025 (com 165 mil toneladas embarcadas), importa cerca de 1 milhão de toneladas por ano, sendo os Estados Unidos seu principal fornecedor (com 75% de participação).

Apesar da redução recente nos embarques, o México segue como mercado potencial — em 2022, o Brasil exportou 446,8 mil toneladas para o país.

A Venezuela manteve-se como principal comprador do arroz brasileiro em casca, com 219 mil toneladas exportadas em 2025. As tensões diplomáticas envolvendo os EUA não devem comprometer o comércio entre os países, mas uma possível desaceleração nos envios pode ampliar ainda mais os estoques internos.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --