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Arroz

Mercado de arroz segue lento; importações crescem 26,5% e reduzem saldo comercial

Indicador Safras encerra quinta-feira a R$ 84,05 no Rio Grande do Sul; dólar próximo de R$ 5 limita receitas externas, enquanto produtos processados predominam nas compras brasileiras.


Publicado em: 09/10/2026 às 17:30hs

Mercado de arroz segue lento; importações crescem 26,5% e reduzem saldo comercial

O mercado brasileiro de arroz mantém poucas negociações efetivas e baixa liquidez, com compradores e vendedores cautelosos. Segundo Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, a falta de operações recorrentes deixa as referências de preços predominantemente nominais, sem mudanças expressivas na formação das cotações.

O cenário combina dificuldade para movimentar o mercado físico, crescimento das importações e câmbio próximo de R$ 5. Embora as exportações tenham avançado, o aumento mais intenso das compras externas reduziu o saldo comercial do cereal.

Preço do arroz recua na semana, mas mantém alta anual

O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul encerrou a quinta-feira (8) em R$ 84,05, com queda de 0,24% em relação à semana anterior. A referência considera produto com rendimento de 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista.

Apesar do recuo semanal, o indicador acumulava valorização de 4,01% frente ao mesmo período do mês anterior e de 42,87% na comparação com 2025, conforme atualização da consultoria publicada nesta sexta-feira (9).

Importações avançam mais que exportações

Entre março e setembro de 2026, o Brasil exportou 1,145 milhão de toneladas de arroz e importou 1,123 milhão de toneladas, em base casca. Segundo dados da Secex/MDIC apresentados pela Safras, o saldo positivo foi de 22,19 mil toneladas.

No intervalo equivalente da temporada 2025/26, as exportações somaram aproximadamente 921,95 mil toneladas, enquanto as importações chegaram a 887,80 mil toneladas. Naquele período, o superávit foi de 34,15 mil toneladas.

As vendas externas cresceram 24,2%, mas as compras aumentaram 26,5%. Com isso, o saldo comercial diminuiu cerca de 35%, uma redução próxima de 12 mil toneladas.

Brasil exporta matéria-prima e importa arroz processado

A composição dos fluxos comerciais mostra diferenças importantes dentro da cadeia. Arroz em casca e quebrados responderam por 82,8% das exportações, enquanto arroz beneficiado e descascado concentraram 93% das importações.

Na avaliação de Oliveira, a saída de matéria-prima e quebrados contribui para sustentar o mercado na origem. Ao mesmo tempo, a entrada de grandes volumes de produtos processados compõe um cenário distinto para os demais segmentos da cadeia.

Por isso, o saldo comercial próximo do equilíbrio não traduz, isoladamente, as condições enfrentadas por produtores, beneficiadores e demais agentes.

Dólar abaixo de R$ 5 mantém câmbio no radar

Na atualização cambial consultada nesta sexta-feira (9), o par dólar/real estava em R$ 4,9905 às 13h54, com recuo de 0,66%, segundo o Investing.com. A cotação é parcial e não corresponde ao fechamento do dia. Cotação Dólar para Real - Investing.com

O movimento mantém a moeda americana próxima do patamar citado pela Safras como um limitador da conversão das receitas de exportação em reais e da paridade do arroz brasileiro.

Segundo Oliveira, a melhora parcial das referências internacionais ainda convive com o mercado doméstico travado e com importações elevadas de produtos processados.

Ritmo dos embarques e demanda interna serão decisivos

Para a Safras, a sustentação do mercado dependerá da continuidade das exportações, da retenção do produto na origem e de uma reação mais consistente da demanda interna.

Enquanto esses fatores não se traduzirem em negócios mais frequentes, a tendência é de manutenção da cautela nas negociações, com baixa fluidez e dificuldade para consolidar novas referências de preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

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