Publicado em: 06/02/2026 às 18:20hs
O mercado de arroz no Rio Grande do Sul iniciou fevereiro com sinais discretos de recuperação nas cotações, apontando mais para um ajuste técnico do que para uma virada consistente do cenário. A avaliação é do analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, que observa um ambiente ainda marcado por cautela e baixa tração comercial.
De acordo com o especialista, o arroz em casca FOB Fronteira Oeste foi negociado entre R$ 50 e R$ 53 por saca para produto padrão indústria, enquanto o arroz parboilizado em Uruguaiana oscilou entre R$ 45 e R$ 47 por saca.
No varejo, o mercado dá sinais de reajuste gradual de preços após um período de promoções excessivamente agressivas.
“A retirada de ofertas abaixo de R$ 10 por pacote de 5 quilos mostra que as margens começam a se recompor ao longo da cadeia”, explica Oliveira.
Atualmente, as marcas comerciais estão operando acima de R$ 15, enquanto marcas tradicionais voltaram a patamares superiores a R$ 18. Essa normalização reduz a pressão de queda sobre o atacado, embora ainda não aponte para um aumento significativo do consumo, segundo o analista.
Entre os temas em destaque no setor, as discussões sobre o alongamento das CPRs (Cédulas de Produto Rural) com vencimento em março e abril ganham importância. A medida busca reduzir o impacto da concentração de oferta no pico da colheita, evitando quedas acentuadas de preços.
“O alongamento dos prazos atua como ferramenta essencial para evitar um colapso pontual de mercado”, ressalta Oliveira.
Outro fator de sustentação para o mercado é o avanço das exportações. O consultor destaca que as tradings intensificaram as compras de arroz em casca para embarque internacional, o que tem ajudado a escoar excedentes e criar um piso técnico para as cotações domésticas.
“As exportações se consolidam como o principal vetor de sustentação no curto prazo”, acrescenta.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 53,48, alta de 0,37% em relação à semana anterior. Na comparação mensal, a valorização foi de 2,05%, mas, em relação ao mesmo período de 2025, o preço ainda registra queda expressiva de 46,32%.
Fonte: Portal do Agronegócio
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