Publicado em: 20/05/2024 às 18:00hs
A colheita de arroz no Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção brasileira, enfrenta sérios desafios devido às enchentes. Segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), até 8 de maio, 84% da área plantada havia sido colhida, restando ainda 142 mil hectares. Destes, 23 mil hectares foram totalmente perdidos e 18 mil hectares estão parcialmente submersos, sobrando apenas 101 mil hectares não afetados pelas cheias. As áreas mais prejudicadas concentram-se na região central do estado.
Com base nos dados do IRGA, a combinação das áreas perdidas e ainda alagadas resulta em uma perda estimada de 41 mil hectares. Considerando a produtividade prevista de 8.235 kg/ha, isso representa uma redução de 341 mil toneladas na oferta de arroz do Rio Grande do Sul. Essa diminuição impacta em uma queda de 3,2% na produção nacional, que, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), era estimada em 10,5 milhões de toneladas.
Além das perdas diretas nas lavouras, há preocupação com os armazéns e silos afetados pelas enchentes, complicando ainda mais a contabilização das perdas. A Cepea aponta que o preço da saca de arroz em casca no Rio Grande do Sul aumentou desde o final de abril, sendo negociada a R$ 108,00 na segunda semana de maio, um aumento de 2% em relação ao final do mês anterior.
A CONAB ajustou sua estimativa para a safra 2023/24 do Rio Grande do Sul, reduzindo em 202 mil toneladas a projeção inicial. No entanto, aumentos na produção de outros estados, como Minas Gerais (+68 mil toneladas), levaram a projeção total para o Brasil a 10,49 milhões de toneladas, ainda 4,6% superior à safra anterior. A previsão de importação de arroz foi elevada de 1,45 milhão para 2,2 milhões de toneladas, enquanto as exportações foram reduzidas para 1,2 milhão de toneladas.
O governo federal está tomando medidas para aumentar a oferta de arroz no mercado interno, autorizando a importação de até 1 milhão de toneladas de arroz beneficiado ou em casca através de leilões públicos a preços de mercado. No entanto, a indústria argumenta que não há risco de desabastecimento e alerta que tais medidas podem desestimular o plantio e prejudicar a oferta no próximo ano. Além disso, questiona-se a qualidade do arroz importado em comparação ao produto nacional.
Com a logística afetada e a oferta reduzida, os preços do arroz podem continuar a subir, trazendo incertezas para o mercado. A situação exige monitoramento contínuo e ações coordenadas para garantir a estabilidade do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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