Arroz

Federarroz Alerta para Ameaças na Importação de Arroz Subsidiado

Decisão de Anular Leilão é Vista como Acertada; Entidade Defende Produção Nacional


Publicado em: 13/06/2024 às 11:20hs

Federarroz Alerta para Ameaças na Importação de Arroz Subsidiado

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) considerou acertada a anulação do leilão público para a compra de arroz importado. A entidade argumenta que não há necessidade de importar o cereal para abastecer o mercado interno. O leilão, realizado pelo governo, foi cancelado na terça-feira (11) devido a questionamentos sobre a capacidade técnica e financeira das empresas vencedoras.

O presidente da Federarroz, Alexandre Velho, destacou que a importação de arroz a preço subsidiado pelo governo pode desestimular os produtores nacionais e aumentar a dependência externa. "Se o governo insistir nesse erro, trará uma grande ameaça não só ao setor produtivo, mas também às cooperativas e indústrias. A área de arroz pode diminuir ainda mais no próximo ano, aumentando nossa dependência de um arroz que custa o mesmo, ou mais caro, e não tem a mesma qualidade do nosso produto", afirmou Velho em entrevista à Agência Brasil.

Segundo Velho, os produtores brasileiros não conseguem produzir arroz para vender a R$4 o quilo, preço prometido pelo governo para o produto importado. "É uma concorrência desleal o governo subsidiar arroz estrangeiro, beneficiando produtores da Ásia e prejudicando os brasileiros que fornecem um produto de alta qualidade. Deveríamos usar recursos para manter nossos produtores na atividade, não para beneficiar produtores de fora", declarou.

A Federarroz garante que não há risco de desabastecimento de arroz no país. A área plantada aumentou este ano e a quebra na safra do Rio Grande do Sul foi de apenas 15%, pois 85% da colheita já havia sido concluída antes das enchentes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de arroz em 2024 deve alcançar 10,5 milhões de toneladas, um crescimento de 2% em relação a 2023. "Com o aumento da área e da produção, além da redução nas exportações em cerca de 300 mil toneladas que ficarão no mercado interno, onde está a justificativa técnica para tal atitude?", questiona Velho.

Nesta quinta-feira (13), a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz realizará uma reunião extraordinária para discutir uma posição unânime do setor produtivo, das cooperativas e da indústria. "Todo o setor orizícola brasileiro é contra essa medida precipitada do governo, que demonstra no mínimo uma falta de sensibilidade", avalia Velho.

Especulação e Transparência

O Ministério da Agricultura e Pecuária afirma que o objetivo do leilão de arroz é dar continuidade à política de estoques reguladores do governo e evitar a especulação de preços, considerando as dificuldades enfrentadas pelos produtores gaúchos após a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção nacional. Um novo processo para a compra do cereal será realizado, ainda sem data prevista.

Na quarta-feira (12), o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, ordenou à Corregedoria-Geral da estatal a imediata abertura de um processo para averiguar todos os fatos relacionados ao leilão de compra de arroz importado. A Conab também solicitou à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Polícia Federal uma análise completa do processo do leilão. "Estas medidas têm como objetivo garantir total transparência no processo, bem como prestar contas e dar tranquilidade à sociedade brasileira", afirmou a Conab, ressaltando que a segurança jurídica e o zelo com o dinheiro público são princípios inegociáveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

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