Publicado em: 09/05/2024 às 11:20hs
A situação das lavouras de arroz no Rio Grande do Sul é crítica, especialmente devido às chuvas torrenciais que causaram graves inundações no estado. De acordo com Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, cerca de 180 mil hectares de arroz estão sob risco de perda, com as áreas mais afetadas localizadas na região Central do estado.
"Os municípios de Cachoeira do Sul, São Sepé e Encruzilhada do Sul foram seriamente impactados", afirma Oliveira em entrevista exclusiva à Agência Safras News. Ele ressalta que as consequências dessas inundações são devastadoras para a produção de arroz. "Temos quase 100 mil hectares ainda não colhidos, completamente submersos", destaca, explicando que isso pode representar perdas entre 800 mil e 1 milhão de toneladas do grão.
Apesar dessa tragédia, Oliveira aponta um lado positivo: cerca de 87% da área já colhida atingiu um rendimento satisfatório. Assim, ele acredita que o risco de desabastecimento não é iminente. Contudo, recentemente, o Governo Federal anunciou a possibilidade de importar mais 1 milhão de toneladas para suprir a demanda nacional, uma previsão que o analista considera exagerada. "Essa estimativa carece de informações precisas sobre a origem do arroz a ser importado", pondera.
Em termos de importações, a maioria do arroz brasileiro vem de países do Mercosul, mas o Paraguai também enfrenta problemas de produção, o que pode resultar em uma redução de 50 mil toneladas nas exportações. Já a Argentina projeta um aumento de 50 mil a 100 mil toneladas em suas exportações, mas isso não seria suficiente para cobrir a escassez. "O Uruguai também não tem capacidade de exportação suficiente para suprir a demanda", acrescenta Oliveira.
O analista também observa que, antes mesmo das inundações, já havia uma queda no consumo interno e um enfraquecimento das exportações brasileiras. Esse contexto, segundo ele, pode ajudar a evitar um desabastecimento imediato. No entanto, Oliveira alerta que o mercado internacional está se tornando cada vez mais competitivo, com os Estados Unidos assumindo uma posição dominante em setembro, o que poderia dificultar a presença brasileira.
Quanto aos preços globais, Oliveira prevê uma tendência de alta. "A Índia está fora do mercado de exportações, e a demanda global é maior do que a oferta", conclui o analista.
Fonte: Portal do Agronegócio
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