Publicado em: 06/02/2026 às 12:40hs
O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) prevê uma redução expressiva na área cultivada com arroz no Rio Grande do Sul para a safra 2025/26, estimando o plantio entre 880 mil e 890 mil hectares. Se confirmada, essa será a menor área de cultivo registrada nos últimos anos, ficando abaixo de 900 mil hectares.
A informação foi antecipada pelo presidente do Irga, Alexandre Velho, durante reunião entre Farsul, Federarroz, Seapi e o próprio instituto. Os dados oficiais devem ser divulgados na próxima semana.
De acordo com Velho, além da diminuição na área plantada, o Estado deve enfrentar queda na produtividade em relação à safra anterior.
Ele destacou que seis regiões arrozeiras do Rio Grande do Sul registram maior incidência de arroz vermelho, problemas de infestação e menor uso de tecnologia, reflexo direto das restrições de crédito que limitam investimentos por parte dos produtores.
“O indicativo também é de uma produtividade menor este ano do que foi o ano passado”, afirmou o presidente do Irga.
Para o presidente da Farsul, Domingos de Souza, a retração na área cultivada reflete uma estratégia de ajuste de oferta defendida por entidades do setor.
“Esse número do Irga vai ser o mais importante para todas as políticas, tanto das entidades quanto da indústria e do poder público”, afirmou Souza.
Segundo ele, o movimento contribui para reequilibrar o mercado e melhorar as condições de preço para os produtores, após períodos de pressão sobre a rentabilidade da lavoura.
Durante o encontro, lideranças do setor apresentaram um pacote de ações emergenciais e medidas estruturais voltadas a reduzir a pressão sobre o preço do arroz e garantir fôlego financeiro aos produtores.
Entre as propostas em andamento estão:
Essas ações têm como objetivo melhorar o fluxo de caixa dos produtores e dar estabilidade ao mercado arrozeiro gaúcho.
Outro ponto debatido foi o combate à comercialização irregular de arroz fora de tipo, prática que aumenta artificialmente a oferta de grãos tipo 1 e pressiona os preços internos.
As entidades estão financiando pesquisas para apoiar ações de fiscalização, com foco especial no produto importado do Mercosul, especialmente do Paraguai.
Representantes da Federarroz e do Irga reforçaram que continuam os estudos para diversificação do uso do arroz, incluindo projetos voltados à produção de etanol e bioenergia.
Segundo o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, a iniciativa busca ampliar o valor agregado do grão e gerar emprego e renda sem afetar o consumo alimentar.
“Não estamos tirando o arroz da alimentação. Estamos ampliando as possibilidades, gerando emprego e renda”, afirmou Nunes.
O Rio Grande do Sul mantém a liderança na produção de arroz no Brasil, responsável por cerca de 70% da safra nacional. A redução prevista na área de cultivo para 2026 reflete um ajuste estratégico do setor frente aos altos custos de produção, limitações de crédito e oscilações de mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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