Arroz

Alta do diesel e fretes pressiona cadeia do arroz e eleva custos logísticos

Mercado de arroz segue com preços firmes, mas com baixa liquidez nas negociações


Publicado em: 13/03/2026 às 18:20hs

Alta do diesel e fretes pressiona cadeia do arroz e eleva custos logísticos

O mercado brasileiro de arroz registrou pequenos avanços nas indicações de preços nesta semana, porém o setor ainda enfrenta liquidez extremamente baixa, com poucos negócios efetivos servindo como referência para o mercado.

De acordo com o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o cenário atual é caracterizado por um equilíbrio delicado entre oferta e demanda.

“Em outras palavras, trata-se de um mercado com preços relativamente firmes, porém com pouca profundidade transacional, dificultando a definição de uma tendência clara”, explica o especialista.

Retenção de oferta e exportações sustentam o mercado

Segundo a análise, dois fatores principais têm sustentado o mercado neste momento:

  • Retenção de oferta por parte dos produtores, que aguardam melhores condições de venda
  • Exportações ainda ativas, que ajudam a reduzir parte da pressão da oferta no mercado interno

Mesmo com esses elementos de sustentação, o ambiente permanece desafiador para toda a cadeia produtiva.

De acordo com Oliveira, o setor enfrenta custos elevados de produção, aumento dos riscos logísticos e um cenário internacional relativamente abastecido, fatores que ampliam as incertezas para produtores, indústrias e exportadores.

Diesel se torna gargalo logístico durante a colheita

Entre os principais fatores de pressão nas últimas semanas está o diesel, que deixou de ser apenas um componente relevante de custo para se tornar um gargalo operacional para a cadeia orizícola.

No pico da colheita no estado do Rio Grande do Sul, produtores têm relatado restrições no fornecimento do combustível por parte de distribuidores.

Esse cenário tem provocado episódios de “fazenda parada”, situação em que a falta de diesel impede a operação de colheitadeiras e equipamentos de transporte, atrasando a colheita e o escoamento da produção.

Preço do diesel dispara e eleva custo do frete

Além da escassez pontual, o preço do diesel também registrou forte alta em algumas regiões do estado.

Segundo relatos do setor, o combustível passou de cerca de R$ 5,60 para até R$ 10,00 por litro, refletindo tensões geopolíticas relacionadas ao fluxo global de petróleo no Estreito de Ormuz.

Esse movimento já impacta diretamente o transporte da produção.

O frete rodoviário acumula aumento próximo de 37% no ano, elevando os custos tanto para o escoamento interno quanto para o transporte até os portos de exportação.

Cadeia produtiva enfrenta pressão de custos e preços limitados

O aumento dos custos cria um paradoxo para o setor orizícola. Enquanto produtores e empresas enfrentam forte pressão inflacionária nos custos de produção e logística, o mercado interno ainda opera com negociações limitadas e preços relativamente contidos ao produtor.

Esse cenário dificulta a recuperação da rentabilidade da atividade.

Cotação do arroz sobe na semana, mas segue abaixo do nível de 2025

No mercado físico do Rio Grande do Sul, a média da saca de 50 quilos de arroz (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 58,01.

O valor representa:

  • Alta de 2,74% em relação à semana anterior
  • Avanço de 6,07% frente ao mesmo período do mês passado
  • Queda de 30,98% na comparação com os preços de 2025

O comportamento do mercado mostra que, apesar das recentes altas pontuais, a cadeia do arroz ainda enfrenta um ambiente de grande incerteza e pressão sobre os custos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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