Publicado em: 19/02/2026 às 12:00hs
A produção global de algodão deve crescer 1,12% no ciclo 2025/26, segundo a mais recente estimativa do United States Department of Agriculture (USDA). De acordo com análise divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o total produzido mundialmente está projetado em 26,10 milhões de toneladas, com destaque para crescimentos esperados na China, Brasil e Índia.
Apesar da elevação na oferta, o consumo global de algodão foi estimado em 25,85 milhões de toneladas, levemente inferior ao mês anterior (queda de 0,17%) e estável em relação à safra anterior. O aumento de oferta deve resultar em estoques finais maiores, calculados em 16,35 milhões de toneladas, o maior volume desde o ciclo 2022/23, reforçando a expectativa de maior disponibilidade de algodão no mercado global.
O relatório do USDA ainda indica que as projeções de exportações para 2025/26 estão 3,06% acima da temporada anterior. Este movimento de comércio internacional, impulsionado pela maior produção, pode alterar a dinâmica de preços e equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do ciclo agrícola. Conforme o Imea, essa maior disponibilidade global pode influenciar negativamente as cotações se os estoques continuarem elevados, principalmente em períodos de menor consumo no mercado interno e externo.
O cenário global de commodities, como o algodão, não se dissocia do ambiente macroeconômico doméstico. O Banco Central do Brasil mantém atualmente uma política monetária que busca equilibrar inflação e crescimento econômico diante de desafios externos e internos. Os dados mais recentes mostram que a meta de inflação para 2025 é 3,00% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%, segundo os relatórios de política monetária. A inflação acumulada em 2025 retornou à faixa de tolerância após oscilações no ano passado, reflexo de medidas adotadas pelo comitê de política monetária (Copom).
Além disso, o Banco Central monitora indicadores como o IBC-Br, índice que antecipa a atividade econômica do país, incluindo o desempenho do setor agrícola. O agronegócio tem contribuído de forma consistente para a atividade econômica e foi um dos segmentos que ajudou a manter o IBC-Br positivo em momentos de desaceleração de outros setores.
O ambiente de juros elevados e condições de crédito também influencia diretamente a produção agrícola no Brasil. Com a taxa Selic mantida em níveis historicamente altos em 15% ao ano para conter a inflação, os custos de financiamento do setor estão sob atenção dos produtores rurais, especialmente em culturas intensivas em capital como o algodão. Isso impacta tanto os investimentos em tecnologia quanto a capacidade de rotação de crédito para custeio e comercialização da safra.
Dados do Plano Safra, o principal programa de crédito rural do país, indicam um volume recorde de recursos disponibilizados ao agronegócio brasileiro, o que atenua parte dos efeitos dos juros altos e garante recursos para custeio, investimentos e comercialização agrícola, favorecendo setores produtores de algodão, soja, milho e outros.
As projeções do Relatório Focus, pesquisa semanal consolidada pelo Banco Central, apontam expectativas ajustadas para os principais indicadores macroeconômicos, como inflação, taxa de câmbio, crescimento do PIB e taxa básica de juros (Selic). Essas estimativas influenciam decisões dos produtores rurais e empresas ligadas à cadeia têxtil e algodoeira, que dependem de custos financeiros, perspectivas de consumo interno e preço de commodities no mercado internacional.
Com a produção mundial em alta e um cenário interno de inflação controlada — ainda que sob juros elevados — o setor algodoeiro brasileiro e global observa um momento de oferta superior à demanda, o que pode pressionar preços no curto prazo, mas também garante maior disponibilidade da fibra para o mercado têxtil e industrial ao longo do ano.