Preço do algodão cai 1,42% em setembro apesar do avanço das exportações dos EUA
Embarques americanos crescem 32,19% na safra 2026/27, mas vendas semanais ainda precisam acelerar para atingir a projeção do USDA
Publicado em: 02/10/2026 às 16:30hs
O preço do algodão acumula queda em setembro, mesmo com a recuperação das cotações nos últimos pregões e o avanço das exportações dos Estados Unidos. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a média do contrato de dezembro de 2026 na Bolsa de Nova York (ICE) ficou em 85,23 centavos de dólar por libra-peso até 24 de setembro, recuo de 1,42% em relação à média de agosto, de 86,46 centavos.
A melhora das exportações americanas ajudou a sustentar a reação recente dos preços. Entretanto, o cenário macroeconômico e o avanço da colheita limitaram a recuperação, mantendo a média das cotações abaixo da registrada no mês anterior.
Algodão reage nos últimos pregões, mas mantém perdas
Na comparação semanal apresentada pelo Imea, o contrato de dezembro de 2026 registrou preço médio de 83,04 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,36%.
Embora as últimas sessões tenham mostrado recuperação, o movimento não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas em setembro. O mercado segue dividido entre o apoio proporcionado pela demanda externa e a pressão associada ao avanço da oferta e aos fatores macroeconômicos.
Nesse cenário, o desempenho das exportações americanas ganha importância para avaliar a capacidade de sustentação das cotações nos próximos pregões.
Exportações dos EUA crescem 32,19% na safra 2026/27
Os Estados Unidos acumularam 265,09 mil toneladas de algodão embarcadas na safra 2026/27, volume 32,19% superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior, conforme os dados apresentados pelo Imea.
Na semana encerrada em 17 de setembro, os embarques somaram 35,86 mil toneladas, aumento de 20,04% em relação ao período equivalente da safra 2025/26.
O avanço foi favorecido pelos preços mais baixos e pela retomada das compras internacionais. México, Vietnã, Paquistão e Índia estiveram entre os destinos que contribuíram para o desempenho das exportações americanas.
Compromissos atingem 40,99% da projeção do USDA
Ao reunir os volumes já embarcados e as vendas com entrega ainda pendente, os compromissos de exportação dos Estados Unidos chegaram a 1,03 milhão de toneladas.
O total representa crescimento de 16,65% frente às 883,73 mil toneladas registradas no mesmo período da safra anterior e corresponde a 40,99% da projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a temporada.
Apesar da evolução, o ritmo das vendas ainda precisa aumentar. Segundo o Imea, os americanos necessitam comercializar aproximadamente 32,97 mil toneladas por semana para alcançar a estimativa considerada.
Nas últimas três semanas, porém, a média de vendas foi de 27,26 mil toneladas semanais, abaixo do volume necessário. A diferença indica que a recuperação da demanda precisa ganhar intensidade para aproximar os compromissos da meta prevista para a safra.
Colheita e demanda internacional orientam os próximos movimentos
O mercado do algodão continuará acompanhando o ritmo das vendas e dos embarques americanos, o avanço da colheita e as condições das lavouras nos Estados Unidos.
A demanda asiática também será relevante para a continuidade das compras. Conforme a análise do Imea, a combinação entre oferta, preços e procura internacional deverá indicar se o avanço das exportações pode se manter ao longo da safra 2026/27.
Para as cotações na ICE, a atenção se concentra na capacidade das novas vendas de sustentar a reação recente dos preços diante da pressão exercida pelo avanço da colheita.
Fonte: Portal do Agronegócio
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