Nova safra de algodão pressiona preços do caroço e do óleo em Mato Grosso
Avanço da colheita e do beneficiamento amplia a oferta de coprodutos, enquanto demanda dos setores alimentício e de biodiesel ajuda a sustentar o óleo de algodão
Publicado em: 27/08/2026 às 10:10hs
A entrada da nova safra de algodão aumentou a disponibilidade de coprodutos em Mato Grosso e mantém os preços do caroço e do óleo sob pressão. Embora as cotações tenham registrado altas pontuais na última semana, os dois produtos continuam acumulando perdas no mês e na comparação com a temporada anterior.
Segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o avanço da colheita e do beneficiamento amplia a oferta justamente em um período de demanda enfraquecida. Esse desequilíbrio limita a recuperação das cotações e deve continuar influenciando o mercado no curto prazo.
Preço do caroço de algodão sobe 0,42% na semana
O caroço de algodão foi negociado, em média, a R$ 799,09 por tonelada em Mato Grosso, valorização semanal de 0,42%.
A alta, contudo, não foi suficiente para compensar as perdas recentes. No acumulado mensal, o preço do coproduto caiu 6,70%. Em relação ao mesmo período da safra passada, a retração chegou a 11,73%.
A maior disponibilidade decorrente do processamento da nova produção encontra uma demanda com menor capacidade de absorção. Esse cenário amplia a concorrência entre vendedores e restringe movimentos mais consistentes de valorização.
Óleo de algodão avança 1,60%, mas ainda acumula queda
O óleo de algodão apresentou recuperação mais intensa na semana, com alta de 1,60%. A cotação média alcançou R$ 5.259,09 por tonelada.
Apesar do avanço, o produto acumula desvalorização de 1,66% no mês. Na comparação com o mesmo intervalo da temporada anterior, a queda chega a 5,61%.
A procura das indústrias de alimentos e de biodiesel oferece algum suporte ao óleo de algodão. Essa demanda ajuda a reduzir a intensidade da pressão provocada pelo aumento da oferta, mas ainda não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas.
Colheita e beneficiamento ampliam oferta de coprodutos
O avanço da colheita do algodão em Mato Grosso alimenta gradualmente as unidades de beneficiamento, elevando a disponibilidade de caroço e, posteriormente, de óleo no mercado.
Como esses volumes entram em circulação em um ambiente de consumo mais lento, a absorção ocorre de forma limitada. O resultado é uma pressão maior sobre as cotações, especialmente no caso do caroço, que apresenta perdas mais acentuadas tanto no mês quanto na comparação anual.
A evolução dos preços dependerá da velocidade de entrada da nova produção e da capacidade dos compradores de absorverem os volumes adicionais.
Demanda por biodiesel pode limitar queda do óleo
A indústria de biodiesel permanece como um dos principais vetores de sustentação para o óleo de algodão. O produto também encontra demanda no setor alimentício, ampliando suas possibilidades de comercialização.
No entanto, o suporte dessas atividades ainda enfrenta o crescimento sazonal da oferta. Caso a procura industrial avance nas próximas semanas, o óleo poderá apresentar maior resistência às quedas ou iniciar uma recuperação gradual.
Para o caroço de algodão, o cenário permanece mais dependente da demanda de setores como alimentação animal, confinamentos e esmagadoras.
Mercado deve continuar pressionado no curto prazo
A tendência é de manutenção da oferta elevada à medida que a colheita e o beneficiamento avançam em Mato Grosso. Nesse ambiente, o ritmo da demanda será decisivo para determinar se os preços encontrarão espaço para recuperação ou continuarão em trajetória de ajuste.
Enquanto a absorção dos novos volumes permanecer limitada, as altas semanais devem ser interpretadas como movimentos pontuais. A consolidação de uma recuperação dependerá de uma reação mais consistente do consumo industrial diante do crescimento da oferta de caroço e óleo de algodão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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