Mercado de algodão tem demanda aquecida, oferta restrita e exportações do Brasil disparam mais de 80%
Negócios seguem seletivos no mercado interno, enquanto embarques brasileiros aceleram e projeções mundiais apontam redução da produção na safra 2026/27.
Publicado em: 10/07/2026 às 17:30hs
O mercado brasileiro de algodão encerrou a semana com negociações mais seletivas, impulsionadas por uma demanda doméstica mais ativa e uma oferta cada vez mais restrita por parte dos produtores. O cenário reduziu o volume de negócios, sustentando os preços em importantes regiões produtoras, mesmo diante da volatilidade observada no mercado internacional.
Segundo levantamento da Safras Consultoria, compradores concentraram interesse principalmente em contratos com entrega entre 15 e 30 dias, enquanto vendedores mantiveram postura cautelosa, limitando a disponibilidade da pluma.
Oferta restrita reduz negócios no mercado interno
A menor disponibilidade de algodão para comercialização continua sendo um dos principais fatores que sustentam o mercado físico brasileiro.
Embora as cotações tenham registrado leve ajuste em relação aos níveis observados na semana anterior, os preços seguem em patamar elevado, refletindo o equilíbrio entre oferta limitada e demanda consistente da indústria têxtil.
Em São Paulo, a indústria pagou cerca de R$ 4,11 por libra-peso pela pluma entregue, enquanto em Rondonópolis (MT) a indicação atingiu R$ 130,57 por arroba, equivalente a aproximadamente R$ 3,95 por libra-peso, avanço de R$ 0,51 por arroba na comparação semanal.
A estratégia dos produtores continua sendo comercializar apenas volumes pontuais, aguardando melhores oportunidades de mercado.
Exportações brasileiras de algodão aceleram em julho
As exportações brasileiras começaram julho em ritmo bastante forte.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 30,119 mil toneladas de algodão nos seis primeiros dias úteis do mês, com média diária de 10,039 mil toneladas.
A receita obtida com os embarques alcançou US$ 51,241 milhões, equivalente a uma média diária de US$ 17,080 milhões.
Na comparação com o mesmo período de julho de 2025, o desempenho foi expressivo:
- volume médio diário exportado cresceu 81,5%;
- receita média diária avançou 90,5%.
Os números reforçam a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional e a forte demanda pela fibra nacional.
Produção mundial de algodão deve recuar na safra 2026/27
As perspectivas globais também seguem no radar dos agentes de mercado.
O Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) estima que a produção mundial deverá atingir 25,887 milhões de toneladas na temporada 2026/27, abaixo das 26,469 milhões de toneladas projetadas para a safra 2025/26.
Apesar da menor oferta, o consumo mundial deverá continuar avançando.
A entidade projeta demanda de 25,506 milhões de toneladas em 2026/27, acima das 25,229 milhões de toneladas previstas para a temporada anterior, indicando continuidade da recuperação do setor têxtil global.
Comércio internacional e estoques também devem crescer
O ICAC também revisou para cima as projeções do comércio internacional da fibra.
As exportações globais estão estimadas em 9,643 milhões de toneladas para a safra 2026/27, frente às 9,400 milhões de toneladas previstas para 2025/26.
Já os estoques finais mundiais deverão alcançar 18,530 milhões de toneladas, acima dos 18,151 milhões de toneladas estimados para a temporada atual.
Embora o aumento dos estoques ofereça maior equilíbrio ao mercado global, a redução da produção e o crescimento do consumo deverão manter a atenção dos investidores sobre a evolução da oferta nos principais países produtores.
Perspectivas para o mercado de algodão
O mercado brasileiro de algodão segue sustentado por fundamentos positivos, como demanda interna consistente, exportações aquecidas e oferta limitada no curto prazo.
No cenário internacional, a expectativa de menor produção mundial combinada ao avanço do consumo tende a manter o mercado atento aos próximos relatórios de oferta e demanda, além da evolução da economia global e do ritmo das compras dos principais importadores.
Para os produtores brasileiros, o ambiente continua favorável, embora fatores como câmbio, logística e comportamento das cotações internacionais devam continuar influenciando o ritmo da comercialização nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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