Publicado em: 27/04/2026 às 11:10hs
O mercado brasileiro de algodão apresentou demanda consistente tanto no mercado spot quanto para contratos futuros, mas segue com baixo volume de negócios efetivados. O cenário reflete cautela entre compradores e vendedores, mesmo diante da valorização dos preços domésticos e do bom desempenho das exportações.
Segundo a Safras Consultoria, as tradings concentraram suas operações em contratos de curto prazo, com embarques em até 30 dias, e também voltados à safra 2026. Já a indústria manteve uma postura conservadora, realizando compras pontuais, no modelo “da mão para a boca”.
Apesar da baixa liquidez, as cotações do algodão em pluma registraram alta ao longo da semana.
O indicador CIF São Paulo encerrou a quinta-feira (23) em R$ 4,02 por libra-peso, avanço de 1,77% em relação à semana anterior.
No interior, o destaque foi Rondonópolis (MT), onde o preço atingiu R$ 124,99 por arroba (equivalente a R$ 3,78 por libra-peso), com valorização semanal de R$ 2,06 por arroba.
O movimento indica sustentação de preços mesmo diante da postura cautelosa dos agentes de mercado.
O desempenho externo segue como um dos principais pilares de sustentação do mercado.
De acordo com dados do Ministério da Economia do Brasil, as exportações de algodão somaram 194,896 mil toneladas em abril (considerando 12 dias úteis), com média diária de 16,241 mil toneladas.
A receita com os embarques alcançou US$ 294,840 milhões, com média diária de US$ 24,570 milhões.
Na comparação com abril de 2025:
O resultado reforça a forte demanda internacional pela pluma brasileira.
No cenário global, o mercado acompanha as projeções para a produção chinesa, divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Segundo relatório do órgão, a produção de algodão da China deve atingir 7,2 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda em relação às 7,54 milhões de toneladas do ciclo anterior.
A área colhida também deve recuar, passando de 3,05 milhões para 2,97 milhões de hectares.
Por outro lado:
O cenário indica maior dependência do mercado externo, o que pode sustentar a demanda global.
A combinação entre demanda ativa, exportações aquecidas e incertezas globais mantém o mercado do algodão com viés firme. No entanto, a baixa disposição para fechar negócios ainda limita o volume negociado no curto prazo.
A tendência é de manutenção da cautela por parte da indústria, enquanto tradings seguem focadas em oportunidades estratégicas no mercado futuro.
O mercado brasileiro de algodão vive um momento de sustentação de preços, apoiado pela demanda externa e por fundamentos globais positivos. Apesar disso, a baixa liquidez nas negociações indica um ambiente de cautela, com agentes aguardando melhores definições de mercado para ampliar o volume de negócios.
Fonte: Portal do Agronegócio
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