Publicado em: 23/03/2026 às 10:30hs
O mercado de algodão segue pressionado no cenário internacional, de acordo com o relatório Agro Mensal divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O principal fator é a oferta global confortável, que continua limitando movimentos mais consistentes de alta nos preços.
Em fevereiro, os contratos da pluma na Bolsa de Nova York apresentaram queda de aproximadamente 3%, encerrando a USDc 62,4 por libra-peso. O movimento refletiu revisões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que indicaram aumento da produção mundial e dos estoques finais, além de leve redução no consumo global.
Esse cenário reforça a percepção de que o mercado segue bem abastecido no curto prazo, com menor espaço para valorizações expressivas.
Apesar do viés baixista, o início de março trouxe uma recuperação pontual nos preços do algodão. Os contratos registraram alta de cerca de 1%, alcançando USDc 63,2/lb, impulsionados principalmente pela valorização do petróleo no mercado internacional.
O encarecimento da energia aumenta os custos de produção e transporte, além de influenciar o ambiente macroeconômico global. Esse movimento tende a sustentar os preços no curto prazo, ainda que não seja suficiente para alterar os fundamentos estruturais do mercado.
As projeções do USDA reforçam o cenário de abundância:
Além disso, a demanda chinesa — tradicionalmente um dos principais motores do mercado — tende a ser mais moderada. O aumento da produção interna da China e o acúmulo de estoques reduzem a necessidade de importações, limitando o potencial de altas mais intensas nos preços internacionais.
Historicamente, movimentos mais fortes de valorização do algodão estiveram ligados a picos de compras chinesas, cenário que não se repete no momento.
No Brasil, o mercado apresenta estabilidade nos preços, mesmo diante do cenário internacional mais pressionado. Em fevereiro, a pluma foi negociada em torno de R$ 3,28 por libra-peso em Rondonópolis, mantendo-se estável ao longo do mês.
O país segue com:
Para a safra 2025/26, a expectativa é de estoques finais recordes, já que o aumento da produção superou o crescimento das exportações e do consumo interno.
Outro ponto de atenção é o mercado do caroço de algodão, que continua pressionado. Em fevereiro, o preço médio foi de R$ 879 por tonelada, queda de 3% no mês e abaixo da média histórica recente.
Esse movimento reflete:
Oferta elevada remanescente da safra anterior;
A perspectiva de curto prazo indica que o mercado de algodão deve continuar com limitações para altas mais intensas, mesmo com possíveis ajustes na oferta global.
Entre os principais fatores que devem guiar o mercado estão:
No curto prazo, o mercado segue precificando risco, com maior volatilidade e um viés ainda cauteloso, refletindo um ambiente de incertezas tanto do lado da oferta quanto da demanda.
Fonte: Portal do Agronegócio
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