Publicado em: 21/01/2026 às 10:40hs
Após seis meses consecutivos de desvalorização, o mercado do algodão registrou reação tanto em Nova York quanto no Brasil, segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A leve recuperação da pluma trouxe novo fôlego ao setor no início de 2026, com alta moderada nas cotações e otimismo em relação ao clima nas principais regiões produtoras.
Na bolsa de Nova York (NYBOT), o algodão encerrou dezembro com valorização de 0,6%, cotado a USDc 63,5/lb. Já na primeira quinzena de janeiro, o avanço foi de 1,4%, atingindo USDc 64,5/lb. O movimento refletiu uma correção natural após o ciclo prolongado de baixas registrado ao longo de 2025.
No Brasil, os preços domésticos acompanharam a tendência internacional. Em Rondonópolis (MT), o valor da arroba subiu 1,4% em dezembro, chegando a R$ 3,28/lb, e teve leve aumento de 0,4% na primeira metade de janeiro, atingindo R$ 3,29/lb.
O relatório do Itaú BBA destaca que o reajuste dos preços no mercado físico brasileiro está diretamente ligado à recuperação das cotações internacionais e ao fortalecimento da demanda externa.
O Brasil alcançou recorde histórico nas exportações de algodão em pluma em 2025, com 3 milhões de toneladas embarcadas, o que representa um aumento de 9,1% em relação a 2024.
Apesar do desempenho expressivo em volume, o preço médio das exportações caiu 12%, chegando a US$ 1.628,8 por tonelada, o que reduziu o faturamento total para US$ 4,9 bilhões. Segundo o Itaú BBA, essa queda reflete o cenário global de ampla oferta, que manteve as cotações sob pressão durante boa parte do ano.
O ritmo de plantio do algodão no Brasil foi mais lento no fim de 2025, devido à irregularidade das chuvas em importantes polos produtores. Ainda assim, as projeções climáticas indicam bons volumes de precipitação para fevereiro e março, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras e garantir condições adequadas para a colheita.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) fez novos ajustes no balanço global de oferta e demanda do algodão. A produção e os estoques norte-americanos foram revisados para baixo, enquanto os números da China foram elevados.
Nos EUA, a safra foi reduzida de 3,1 para 3 milhões de toneladas, com produtividade estimada em 0,94 t/ha. O estoque final caiu para 0,91 milhão de toneladas. Já na China, as projeções apontam para produção de 7,5 milhões de toneladas, consumo de 8,5 milhões de toneladas e estoques finais de 7,8 milhões de toneladas.
Mesmo com os ajustes, o cenário internacional continua de abundante disponibilidade de pluma, com safras elevadas nos principais exportadores — Brasil, EUA, Austrália e países da África Ocidental.
A China, maior produtora e consumidora global, deve colher uma das maiores safras da história em 2025/26, mantendo as importações em níveis reduzidos. Isso deve manter o mercado equilibrado, mas com margens de lucro ainda comprimidas para os produtores.
O USDA anunciou uma nova etapa do Farmer Bridge Assistance Program (FBA), com US$ 12 bilhões em recursos para apoiar produtores norte-americanos. No entanto, o relatório do Itaú BBA aponta que os pagamentos devem cobrir apenas 30% das perdas causadas pela queda nos preços internacionais e pelos altos custos de produção.
Com margens pressionadas, há incerteza sobre a área a ser plantada nos EUA em 2026/27, o que pode influenciar o equilíbrio global do mercado de algodão nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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