Algodão

Alta do algodão no Brasil reflete entressafra, demanda aquecida e ajustes na safra 2025/26

Preços da pluma reagem acima de R$ 3,60/lp enquanto projeções indicam menor oferta e aumento das exportações


Publicado em: 18/03/2026 às 12:40hs

Alta do algodão no Brasil reflete entressafra, demanda aquecida e ajustes na safra 2025/26
Foto: Pixabay
Preços do algodão sobem no mercado interno com apoio de fatores externos

Os preços do algodão em pluma registraram alta recente no Brasil, ultrapassando o patamar de R$ 3,60 por libra-peso. O movimento marca uma reação após meses de estabilidade, quando as cotações operavam entre R$ 3,40/lp e R$ 3,50/lp desde outubro de 2025.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a valorização foi impulsionada principalmente pelo cenário internacional mais favorável, pelo período de entressafra no país e pela elevação dos custos logísticos, especialmente com a alta do diesel.

Vendedores firmes e compradores mais ativos sustentam valorização

O comportamento dos agentes de mercado também contribui para o avanço dos preços. Segundo o Cepea, produtores seguem firmes nos valores pedidos, limitando a oferta disponível no mercado spot.

Do lado da demanda, parte dos compradores já aceita pagar mais por novos lotes, enquanto outros seguem priorizando o cumprimento de contratos a termo e monitorando o desempenho das vendas de produtos manufaturados.

Projeção de safra de algodão 2025/26 é revisada para baixo

Enquanto os preços avançam, a estimativa de oferta para a safra 2025/26 foi ajustada. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento, a produção total de algodão em pluma foi revisada para 6,53 milhões de toneladas.

O volume representa uma leve queda de 0,12% em relação à projeção anterior. A produção estimada é de 3,80 milhões de toneladas, com recuo mensal de 0,21%.

Mato Grosso lidera produção, mesmo com redução de área

O levantamento aponta que o estado de Mato Grosso deve se manter como principal produtor nacional de algodão, seguido pela Bahia. Ainda assim, o estado mato-grossense apresenta redução de área cultivada, o que influencia diretamente na revisão da produção.

Demanda cresce impulsionada pelas exportações

No lado da demanda, a projeção foi revisada para cima, alcançando 3,95 milhões de toneladas — alta de 4,91% em relação ao levantamento anterior.

O avanço está diretamente ligado ao crescimento das exportações, que devem atingir 3,23 milhões de toneladas, aumento de 5,91%. O desempenho do mercado externo segue como um dos principais vetores para o setor.

Estoques finais recuam com ajuste entre oferta e demanda

Com a redução da oferta e o aumento da demanda, o estoque final de algodão foi estimado em 2,58 milhões de toneladas, o que representa queda de 6,96% frente à projeção anterior.

Esse cenário reforça a sustentação dos preços no mercado interno, especialmente em um momento de menor disponibilidade de produto.

Clima e manejo serão decisivos para o resultado da safra

As perspectivas para a safra ainda dependem do desenvolvimento das lavouras nos próximos meses. Segundo o Imea, fatores como condições climáticas e manejo agrícola serão determinantes para o desempenho final da produção.

Diante disso, o mercado segue atento à evolução das lavouras, em um cenário que combina oferta ajustada, demanda aquecida e preços em recuperação no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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