Algodão

Algodão sofre pressão cambial no Brasil apesar da alta no mercado internacional

Desvalorização do dólar reduz competitividade da pluma brasileira e limita ganhos com valorização externa


Publicado em: 25/02/2026 às 11:30hs

Algodão sofre pressão cambial no Brasil apesar da alta no mercado internacional

O mercado do algodão atravessa uma fase de contrastes entre os cenários interno e externo. Enquanto as cotações internacionais registram avanços impulsionados pelo petróleo, os preços no Brasil seguem pressionados pela desvalorização do dólar frente ao real, o que reduz a paridade de exportação e a atratividade das vendas externas.

Dólar mais fraco reduz competitividade e pressiona mercado interno

De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços do algodão em pluma no mercado brasileiro vêm recuando nas últimas semanas. A queda do dólar tem diminuído a rentabilidade das exportações, tornando o produto nacional menos competitivo no mercado global.

Com a valorização do real, os contratos domésticos perdem sustentação, mesmo diante de um cenário internacional mais firme. A menor paridade de exportação leva produtores a segurar negócios, aguardando condições cambiais mais favoráveis.

Cotações externas avançam com suporte do petróleo

No exterior, o algodão vem registrando valorização nas principais bolsas, em especial na Intercontinental Exchange (ICE), em Nova York. O avanço do petróleo tem dado suporte ao complexo de fibras, influenciando diretamente os preços da commodity.

Ainda assim, o Cepea destaca que essa elevação externa não tem sido suficiente para impulsionar os valores no mercado brasileiro, que permanecem em trajetória de queda. O câmbio mais desfavorável segue como principal fator limitante para ganhos internos.

Abertura e fechamento de mercado mostram volatilidade

Na sessão desta quarta-feira (25), o mercado futuro do algodão iniciou o dia em movimento misto. O contrato março/26 era cotado a 63,56 cents por libra-peso, acumulando queda de 1,22% em relação à abertura anterior. O vencimento maio/26 subiu para 66,27 cents/lb, enquanto o julho/26 registrou 67,86 cents/lb, ambos com leves altas.

Na véspera, terça-feira (24), o pregão havia encerrado com comportamento semelhante. O contrato mais curto (março/26) fechou em 63,15 cents/lb, com recuo de 41 pontos (-0,65%), enquanto os vencimentos de maio/26 e julho/26 avançaram, respectivamente, para 65,50 cents/lb (+0,55%) e 67,14 cents/lb (+0,48%).

O movimento indica ajustes técnicos e reposicionamento de investidores, com pressão sobre os contratos próximos e sustentação nos mais longos, refletindo cautela em relação ao ritmo da demanda global e às projeções de oferta.

Safras em momentos distintos entre hemisférios

No campo, o setor vive fases diferentes entre os hemisférios. No Brasil, produtores estão concentrados na finalização da semeadura da safra 2025/26, enquanto no Hemisfério Norte já se iniciam os preparativos para a temporada 2026/27.

As estimativas iniciais indicam que a próxima safra internacional pode ser menor do que a atual, fator que poderá impactar a formação dos preços nos próximos meses. Com isso, o mercado segue atento à combinação entre câmbio, petróleo e perspectivas de produção para definir o rumo das cotações no curto e médio prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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