Algodão

Algodão sobe no mercado brasileiro com oferta restrita, demanda firme e exportações em forte alta

Menor disponibilidade da pluma no mercado interno, consumo aquecido e avanço das exportações sustentam valorização do algodão no Brasil


Publicado em: 15/05/2026 às 15:30hs

Algodão sobe no mercado brasileiro com oferta restrita, demanda firme e exportações em forte alta

O mercado brasileiro de algodão segue operando em alta, impulsionado pela combinação entre oferta restrita, demanda aquecida e forte desempenho das exportações. Mesmo com oscilações na Bolsa de Nova York, os preços domésticos da pluma mantiveram trajetória positiva ao longo da semana, sustentados principalmente pelo cenário interno mais ajustado.

Segundo análise da Safras Consultoria, a menor disponibilidade de algodão no mercado físico brasileiro continua sendo o principal fator de sustentação das cotações, enquanto o consumo ativo da indústria mantém o ritmo das negociações.

Preço do algodão avança no mercado interno

Em São Paulo, a referência do algodão colocado na indústria alcançou cerca de R$ 4,27 por libra-peso, alta semanal de 1,91% em comparação aos R$ 4,19 registrados na semana anterior.

No Mato Grosso, principal estado produtor do país, o movimento também foi positivo. Em Rondonópolis, a pluma negociada ao produtor atingiu R$ 134,63 por arroba, avanço de R$ 3,39 por arroba na comparação semanal.

Apesar da valorização do mercado interno, a Bolsa de Nova York apresentou recuo na quinta-feira (14), operando na contramão das negociações brasileiras. Ainda assim, os ganhos acumulados no mercado internacional ao longo dos últimos dias seguem influenciando positivamente o comportamento da pluma no Brasil.

Safra brasileira de algodão deve recuar em 2025/26

As perspectivas para a produção nacional também ajudam a reforçar o viés de sustentação dos preços.

De acordo com o 8º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de algodão em pluma 2025/26 está estimada em 3,973 milhões de toneladas, abaixo das 4,081 milhões de toneladas registradas na temporada 2024/25.

A redução reflete tanto a queda da área plantada quanto uma leve diminuição da produtividade média das lavouras.

A produtividade nacional foi projetada em 1.948 quilos por hectare, ligeiramente abaixo dos 1.957 quilos por hectare da safra anterior. Já a área cultivada deve alcançar 2,039 milhões de hectares, recuo de 2,2% frente aos 2,085 milhões de hectares do ciclo passado.

Mato Grosso e Bahia lideram queda na produção

O Mato Grosso, maior produtor brasileiro de algodão, deverá colher 2,735 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26, redução de 3,5% em relação às 2,852 milhões de toneladas obtidas na temporada anterior.

Na Bahia, segundo principal estado produtor, a estimativa é de 834,6 mil toneladas, queda de 1,2% frente às 845 mil toneladas registradas em 2024/25.

Goiás também deve apresentar retração na produção, com safra projetada em 52,9 mil toneladas, redução de 2% na comparação anual.

Exportações brasileiras de algodão disparam em maio

Enquanto a oferta interna segue mais limitada, o desempenho das exportações brasileiras reforça o aquecimento da demanda externa pela pluma nacional.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 95,960 mil toneladas de algodão nos primeiros cinco dias úteis de maio, com média diária de 19,192 mil toneladas.

A receita obtida com os embarques somou US$ 147,311 milhões no período, com média diária de US$ 29,462 milhões.

Na comparação com maio do ano passado, o volume diário exportado apresentou crescimento expressivo de 109,7%, enquanto a receita diária avançou 99,9%.

Mercado acompanha clima, câmbio e demanda global

O setor segue atento agora ao comportamento do clima nas principais regiões produtoras, ao ritmo das exportações brasileiras e à movimentação das bolsas internacionais.

A combinação entre menor produção prevista, oferta física mais restrita e demanda global aquecida mantém um cenário de sustentação para os preços do algodão no curto prazo, especialmente no mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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