Algodão

Algodão recua em junho com menor demanda interna e pressão de NY, mas mercado reage no fim do mês no Brasil

Queda das cotações internacionais e enfraquecimento do consumo doméstico reduziram liquidez, enquanto ajustes pontuais sustentam leve recuperação dos preços no mercado brasileiro


Publicado em: 03/07/2026 às 18:20hs

Algodão recua em junho com menor demanda interna e pressão de NY, mas mercado reage no fim do mês no Brasil
Foto: CNA

O mercado brasileiro de algodão registrou perda de liquidez ao longo de junho, pressionado pela queda das cotações na Bolsa de Nova York (ICE Futures) e por uma demanda interna mais fraca. O cenário levou compradores a adotarem postura mais cautelosa, com negociações mais pontuais e ritmo reduzido entre indústria e produtores.

Segundo levantamento da Safras Consultoria, o ambiente foi marcado por estratégias de compra “da mão para boca”, com menor apetite para formação de estoques e maior seletividade nas aquisições ao longo do mês.

Na última semana, no entanto, houve uma leve melhora na demanda, o que trouxe maior movimentação ao mercado físico e sustentou uma recuperação parcial das cotações em algumas praças brasileiras.

Preços do algodão têm leve alta semanal, mas seguem abaixo de 2025

Na quinta-feira (2), o algodão posto na indústria em São Paulo foi negociado em torno de R$ 4,12 por libra-peso, alta de 0,73% em relação à semana anterior, quando estava em R$ 4,09/libra-peso.

Apesar da recuperação pontual, os preços ainda acumulam queda de 3,29% em relação ao mesmo período de junho de 2025, quando o produto era negociado a R$ 4,26/libra-peso, refletindo o ambiente global mais pressionado.

Em Rondonópolis (MT), principal praça de comercialização do país, a pluma foi negociada a R$ 130,06 por arroba (equivalente a R$ 3,93/libra-peso), com avanço semanal de R$ 1,00 por arroba, mas ainda com retração de R$ 3,63 por arroba no acumulado do mês.

Pressão internacional segue influenciando o mercado

A queda das cotações internacionais em Nova York continuou sendo um dos principais fatores de pressão sobre o mercado físico brasileiro, reduzindo o ritmo de negociações e afetando as referências de preço para a pluma no país.

Além disso, a demanda interna mais fraca contribuiu para o cenário de menor liquidez, especialmente em um ambiente de maior cautela por parte da indústria têxtil, que prioriza compras conforme a necessidade imediata.

USDA projeta aumento da área de algodão nos Estados Unidos

No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou o relatório de intenção de plantio apontando que a área total de algodão no país deve atingir 9,850 milhões de acres em 2026, alta de 6% em relação a 2025, quando foram cultivados 9,282 milhões de acres.

O número veio acima da média das expectativas do mercado, que variava entre 9,4 e 9,9 milhões de acres.

O algodão upland deve somar 9,7 milhões de acres, também com crescimento de 6% frente ao ano anterior. Já o algodão pima deve registrar leve expansão, chegando a 150 mil acres, contra 141,5 mil acres em 2025.

Perspectivas para o mercado

Com a combinação de maior área plantada nos Estados Unidos e demanda global ainda moderada, o mercado internacional de algodão tende a seguir sensível a movimentos de oferta e demanda nas próximas semanas.

No Brasil, agentes do setor seguem atentos à evolução dos preços em Nova York, ao comportamento da indústria têxtil e ao ritmo das exportações, fatores que devem determinar o nível de liquidez e a formação de preços no mercado físico ao longo do segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

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