Publicado em: 08/07/2026 às 10:30hs
O mercado do algodão iniciou julho em um cenário de contrastes. Enquanto as negociações no mercado físico brasileiro permanecem restritas pela baixa liquidez e pelo desacordo entre compradores e vendedores, os contratos futuros registraram forte valorização na Bolsa de Nova York (ICE Futures). No horizonte de médio prazo, porém, o aumento da área plantada nos Estados Unidos reforça a expectativa de maior oferta global, fator que pode limitar a recuperação das cotações internacionais.
O movimento reflete a combinação entre fundamentos de curto prazo, ligados ao comportamento do petróleo e ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas, e perspectivas de safra que continuam sendo monitoradas pelos agentes do mercado internacional.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o mercado brasileiro de algodão em pluma permanece com ritmo lento neste início de julho. As negociações seguem pontuais, principalmente devido à diferença entre os preços pretendidos pelos vendedores e aqueles ofertados pelos compradores.
Segundo os pesquisadores, produtores mais capitalizados e detentores de lotes de melhor qualidade continuam mantendo postura firme nas negociações. Entretanto, a perda de competitividade da exportação e a necessidade de liberar espaço nos armazéns para a chegada da nova safra têm levado parte dos vendedores a flexibilizar suas posições no mercado spot.
Mesmo assim, os compradores ativos continuam oferecendo preços abaixo das expectativas dos vendedores, reduzindo o volume efetivamente negociado.
Outro fator que limita os negócios é o conforto da indústria têxtil em relação aos estoques. A matéria-prima adquirida anteriormente, somada aos volumes armazenados, tem sido suficiente para atender à demanda de curto prazo, reduzindo a necessidade de novas compras.
Além disso, o desempenho das vendas de produtos manufaturados segue sendo um indicador importante para definir o ritmo futuro de reposição de algodão pelas indústrias.
No mercado internacional, o cenário foi bastante diferente.
Os contratos futuros do algodão negociados na ICE Futures encerraram a sessão desta terça-feira com forte valorização, impulsionados principalmente pela alta do petróleo e pela avaliação das condições das lavouras norte-americanas.
O contrato com vencimento em dezembro de 2026 fechou cotado a 81,29 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 3,8% no dia.
Já o contrato para março de 2027 terminou a sessão em 82,68 centavos de dólar por libra-peso, registrando ganho de 3,7%.
Além do petróleo, os investidores acompanharam o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que mostrou leve deterioração nas condições das lavouras.
Até 5 de julho, 46% das áreas foram classificadas entre boas e excelentes condições, contra 48% na semana anterior. As lavouras avaliadas como regulares representam 38%, enquanto 16% permanecem entre ruins e muito ruins.
Embora a mudança tenha sido relativamente pequena, o mercado reagiu de forma positiva diante da possibilidade de impactos sobre o potencial produtivo da safra americana.
Apesar da reação positiva dos contratos futuros, as perspectivas para a safra 2026/27 indicam aumento da oferta mundial de algodão.
Análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), baseada no relatório Acreage do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do National Agricultural Statistics Service (NASS), aponta crescimento da área destinada ao cultivo da fibra.
A projeção é de 3,99 milhões de hectares, representando expansão de 6,12% em relação à temporada anterior.
Segundo o instituto, o avanço foi favorecido pela recuperação das cotações internacionais entre março e maio, período em que os contratos futuros acumularam valorização próxima de 18,75% na Bolsa de Nova York, estimulando a intenção de plantio dos produtores norte-americanos.
Outro fator positivo para a produção foi o aumento das chuvas no chamado Cinturão Algodoeiro dos Estados Unidos. As precipitações reduziram os efeitos da seca em importantes regiões produtoras, criando condições mais favoráveis para o desenvolvimento das lavouras.
Apesar da ampliação da área cultivada, o Imea destaca que o tamanho efetivo da produção dependerá da área colhida e das condições climáticas ao longo do ciclo.
Caso o clima permaneça favorável durante o restante da safra, a produção norte-americana poderá crescer de forma significativa, elevando a oferta global de pluma e mantendo pressão baixista sobre as cotações internacionais.
Nesse contexto, o mercado do algodão deverá continuar atento à evolução das condições das lavouras nos Estados Unidos, ao comportamento do petróleo, à competitividade das exportações brasileiras e ao ritmo de consumo da indústria têxtil, fatores que seguirão determinando a direção dos preços nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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