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Algodão: mercado brasileiro segue travado, NY dispara quase 4% e aumento do plantio nos EUA pressiona perspectivas para os preços

Negociações no Brasil continuam lentas por divergência entre compradores e vendedores, enquanto a Bolsa de Nova York reage à alta do petróleo e às condições das lavouras americanas. Ao mesmo tempo, expansão da área cultivada nos Estados Unidos pode elevar a oferta global e limitar novas valorizações da commodity


Publicado em: 08/07/2026 às 10:30hs

Algodão: mercado brasileiro segue travado, NY dispara quase 4% e aumento do plantio nos EUA pressiona perspectivas para os preços

O mercado do algodão iniciou julho em um cenário de contrastes. Enquanto as negociações no mercado físico brasileiro permanecem restritas pela baixa liquidez e pelo desacordo entre compradores e vendedores, os contratos futuros registraram forte valorização na Bolsa de Nova York (ICE Futures). No horizonte de médio prazo, porém, o aumento da área plantada nos Estados Unidos reforça a expectativa de maior oferta global, fator que pode limitar a recuperação das cotações internacionais.

O movimento reflete a combinação entre fundamentos de curto prazo, ligados ao comportamento do petróleo e ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas, e perspectivas de safra que continuam sendo monitoradas pelos agentes do mercado internacional.

Mercado brasileiro de algodão segue com baixa liquidez

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o mercado brasileiro de algodão em pluma permanece com ritmo lento neste início de julho. As negociações seguem pontuais, principalmente devido à diferença entre os preços pretendidos pelos vendedores e aqueles ofertados pelos compradores.

Segundo os pesquisadores, produtores mais capitalizados e detentores de lotes de melhor qualidade continuam mantendo postura firme nas negociações. Entretanto, a perda de competitividade da exportação e a necessidade de liberar espaço nos armazéns para a chegada da nova safra têm levado parte dos vendedores a flexibilizar suas posições no mercado spot.

Mesmo assim, os compradores ativos continuam oferecendo preços abaixo das expectativas dos vendedores, reduzindo o volume efetivamente negociado.

Outro fator que limita os negócios é o conforto da indústria têxtil em relação aos estoques. A matéria-prima adquirida anteriormente, somada aos volumes armazenados, tem sido suficiente para atender à demanda de curto prazo, reduzindo a necessidade de novas compras.

Além disso, o desempenho das vendas de produtos manufaturados segue sendo um indicador importante para definir o ritmo futuro de reposição de algodão pelas indústrias.

Bolsa de Nova York dispara quase 4%

No mercado internacional, o cenário foi bastante diferente.

Os contratos futuros do algodão negociados na ICE Futures encerraram a sessão desta terça-feira com forte valorização, impulsionados principalmente pela alta do petróleo e pela avaliação das condições das lavouras norte-americanas.

O contrato com vencimento em dezembro de 2026 fechou cotado a 81,29 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 3,8% no dia.

Já o contrato para março de 2027 terminou a sessão em 82,68 centavos de dólar por libra-peso, registrando ganho de 3,7%.

Além do petróleo, os investidores acompanharam o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que mostrou leve deterioração nas condições das lavouras.

Até 5 de julho, 46% das áreas foram classificadas entre boas e excelentes condições, contra 48% na semana anterior. As lavouras avaliadas como regulares representam 38%, enquanto 16% permanecem entre ruins e muito ruins.

Embora a mudança tenha sido relativamente pequena, o mercado reagiu de forma positiva diante da possibilidade de impactos sobre o potencial produtivo da safra americana.

Expansão do plantio nos EUA amplia expectativa de oferta global

Apesar da reação positiva dos contratos futuros, as perspectivas para a safra 2026/27 indicam aumento da oferta mundial de algodão.

Análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), baseada no relatório Acreage do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do National Agricultural Statistics Service (NASS), aponta crescimento da área destinada ao cultivo da fibra.

A projeção é de 3,99 milhões de hectares, representando expansão de 6,12% em relação à temporada anterior.

Segundo o instituto, o avanço foi favorecido pela recuperação das cotações internacionais entre março e maio, período em que os contratos futuros acumularam valorização próxima de 18,75% na Bolsa de Nova York, estimulando a intenção de plantio dos produtores norte-americanos.

Outro fator positivo para a produção foi o aumento das chuvas no chamado Cinturão Algodoeiro dos Estados Unidos. As precipitações reduziram os efeitos da seca em importantes regiões produtoras, criando condições mais favoráveis para o desenvolvimento das lavouras.

Clima será decisivo para os preços do algodão

Apesar da ampliação da área cultivada, o Imea destaca que o tamanho efetivo da produção dependerá da área colhida e das condições climáticas ao longo do ciclo.

Caso o clima permaneça favorável durante o restante da safra, a produção norte-americana poderá crescer de forma significativa, elevando a oferta global de pluma e mantendo pressão baixista sobre as cotações internacionais.

Nesse contexto, o mercado do algodão deverá continuar atento à evolução das condições das lavouras nos Estados Unidos, ao comportamento do petróleo, à competitividade das exportações brasileiras e ao ritmo de consumo da indústria têxtil, fatores que seguirão determinando a direção dos preços nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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