Algodão em Mato Grosso cresce 267,3% e abastece indústrias além dos tecidos
Produção passou de 1,99 milhão para 7,32 milhões de toneladas entre 2007/08 e 2024/25; caroço e fibras curtas fornecem matéria-prima para alimentação animal, biocombustíveis e produtos industriais
Publicado em: 07/10/2026 às 18:20hs
A produção de algodão em Mato Grosso cresceu 267,3% entre as safras 2007/08 e 2024/25, passando de 1,99 milhão para o recorde de 7,32 milhões de toneladas de algodão em caroço. Os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram uma expansão que combina aumento da área cultivada, ganhos de produtividade e aproveitamento da matéria-prima em diferentes atividades econômicas.
Neste 7 de outubro, Dia do Algodão, a trajetória da cotonicultura mato-grossense evidencia uma cadeia que vai além da fabricação de roupas. Enquanto a pluma abastece a indústria têxtil, o caroço, as fibras curtas e os materiais resultantes do beneficiamento encontram aplicações na nutrição animal, na produção de óleo e biocombustíveis e em segmentos industriais.
Produção de algodão supera em mais de três vezes o volume de 2007/08
Desde o início do acompanhamento da cultura pelo Imea, na safra 2007/08, a área de algodão em Mato Grosso passou de aproximadamente 530 mil hectares para 1,55 milhão de hectares em 2024/25. Segundo o instituto, a expansão foi de 192,9%, com a superfície cultivada atingindo seu maior nível na série histórica.
O crescimento da produção foi ainda mais expressivo. O volume de 7,32 milhões de toneladas registrado em 2024/25 equivale a mais de três vezes o resultado observado no primeiro ciclo monitorado.
De acordo com Cíntia Teixeira, analista de algodão do Imea, a safra 2018/19 marcou uma mudança de escala. A partir daquele período, a produção passou a superar de forma consistente 4,5 milhões de toneladas, enquanto a área cultivada ultrapassou 1 milhão de hectares.
Na avaliação da analista, esse movimento consolidou um novo patamar para a cotonicultura estadual, tanto em extensão das lavouras quanto em volume produzido.
Produtividade atinge recorde na safra 2025/26
A expansão da cultura também foi acompanhada por maior rendimento por hectare. A produtividade passou de 251,27 arrobas por hectare em 2007/08 para 330,25 arrobas por hectare em 2025/26.
O avanço de 31,4% levou Mato Grosso ao recorde de produtividade na última safra, conforme a série do Imea. Os números mostram que o crescimento da atividade ocorreu tanto pela incorporação de áreas quanto pela evolução do desempenho das lavouras.
Caroço de algodão abastece alimentação animal e biocombustíveis
Embora a pluma concentre a associação mais conhecida com o algodão, o beneficiamento gera outros produtos com aplicações econômicas relevantes.
Do caroço são obtidos óleo, farelo e torta. O óleo pode ser destinado à alimentação e à fabricação de biocombustíveis. Farelo e torta, por sua vez, são utilizados na alimentação de bovinos, enquanto a casca do caroço pode servir como fonte de fibra nas dietas animais.
Esse aproveitamento amplia os destinos da produção e conecta a cotonicultura a outras cadeias do agronegócio, especialmente à pecuária e ao setor de bioenergia.
Fibras curtas têm aplicações em papel, filtros e produtos farmacêuticos
Outro subproduto é o línter, formado pelas fibras muito curtas que permanecem aderidas ao caroço após o beneficiamento. Apesar de não apresentarem comprimento adequado para a indústria têxtil convencional, essas fibras podem ser utilizadas na fabricação de papel-moeda, filtros, materiais de celulose e produtos farmacêuticos.
Outras fibras curtas, sem características apropriadas para a produção de tecidos, encontram destino em sacaria, feltros, mantas, tapetes e materiais de isolamento.
Segundo Cíntia, a diversidade de aplicações demonstra que a importância econômica do algodão não se limita à pluma. O processamento do caroço, das fibras curtas e dos resíduos atende a diferentes mercados e amplia o alcance da cadeia produtiva.
Safra 2026/27 tem produção estimada em 6,65 milhões de toneladas
Depois do recorde de 2024/25, a produção mato-grossense de algodão em caroço foi consolidada em 6,81 milhões de toneladas na safra 2025/26. Para 2026/27, a estimativa do Imea é de 6,65 milhões de toneladas.
O instituto caracteriza esse movimento como uma acomodação após o pico produtivo. Área cultivada e produtividade apresentam comportamentos distintos, mas os volumes seguem entre os maiores da série histórica.
Mesmo com a redução prevista, a cotonicultura mantém uma escala elevada em Mato Grosso, sustentada pela produção de pluma e pelo aproveitamento dos demais componentes do algodão em diferentes setores da economia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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