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Algodão

Algodão cai em Nova York, mas incerteza sobre safra dos EUA sustenta preços acima de 80 cents

Dólar forte e ajustes técnicos pressionaram os contratos na quarta-feira; segundo a Safras & Mercado, déficit global e condições das lavouras norte-americanas dão suporte à pluma


Publicado em: 08/10/2026 às 11:30hs

Algodão cai em Nova York, mas incerteza sobre safra dos EUA sustenta preços acima de 80 cents

Os preços do algodão fecharam em baixa na Bolsa de Nova York na quarta-feira (7), pressionados pela valorização do dólar frente ao real e a outras moedas, além de fatores técnicos. Apesar do recuo, os principais contratos permaneceram acima de 80 centavos de dólar por libra-peso, em um mercado atento ao tamanho da safra dos Estados Unidos.

O contrato com entrega em dezembro de 2026 encerrou a 80,03 centavos de dólar por libra-peso, queda de 1,18 centavo, ou 1,4%. Março de 2027 fechou a 83,12 centavos, com perda de 1,05 centavo, ou 1,2%.

A acomodação das cotações ocorre após uma mudança de patamar ao longo de 2026. Segundo Gil Carlos Barabach, analista e consultor da Safras & Mercado, os preços oscilavam entre 65 e 67 centavos de dólar por libra-peso no início do ano.

Safra de algodão dos Estados Unidos concentra as atenções

Durante palestra no 12º Safras Agri Week, Barabach destacou que as condições das lavouras norte-americanas se tornaram um dos principais fatores acompanhados pelo mercado internacional.

Segundo o consultor, a deterioração das plantações aumenta a incerteza sobre o volume que será colhido e ajuda a sustentar os preços em Nova York.

“Há uma deterioração nas condições das lavouras, que faz Nova York olhar muito para a safra dos Estados Unidos”, afirmou.

A dimensão da produção norte-americana ganha importância em uma temporada marcada, conforme a avaliação do analista, por oferta mundial inferior ao consumo.

Déficit global oferece suporte aos preços da pluma

A temporada comercial 2026/27, iniciada em agosto, apresenta um déficit mundial de algodão, segundo Barabach. Nesse cenário, a menor disponibilidade da fibra contribui para dar suporte às cotações.

“Estamos com uma produção menor que o consumo”, explicou o consultor.

Ele apontou a redução da produção brasileira em 2026, na comparação com o ano anterior, e a queda das safras em países asiáticos como fatores que compõem esse quadro de oferta mais restrita.

Petróleo caro favoreceu a competitividade da fibra natural

Na avaliação de Barabach, a trajetória de valorização do algodão começou em março, com a guerra entre Estados Unidos e Irã e a consequente alta do petróleo.

O encarecimento da commodity reduziu a competitividade dos produtos sintéticos, favorecendo a fibra natural no mercado têxtil.

“O conflito fez o petróleo disparar, reduzindo a competitividade dos produtos sintéticos e abrindo espaço para a fibra natural”, afirmou.

Esse movimento, somado ao déficit mundial, ajudou a levar os contratos a níveis superiores aos registrados no início de 2026.

Entrada da safra no Hemisfério Norte provoca acomodação

Mesmo com a baixa recente, Barabach considera o cenário de preços favorável ao produtor de algodão. Para ele, parte da pressão atual está relacionada à entrada da safra no Hemisfério Norte.

“É uma pressão sazonal normal de entrada da safra no Hemisfério Norte”, avaliou.

O mercado combina, assim, fatores de curto prazo que pressionam os contratos — como câmbio, ajustes técnicos e avanço da colheita — com fundamentos de oferta que sustentam as cotações. As condições das lavouras e o volume final da produção dos Estados Unidos seguem no centro dessa avaliação.

Fonte: Portal do Agronegócio

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