Algodão 2026/27: precisão no plantio e na pulverização ganha peso com custos elevados
Análise de Leonardo Casali, da Fendt, aponta que reduzir perdas de sementes, fertilizantes e defensivos pode ajudar a proteger a rentabilidade da lavoura
Publicado em: 29/09/2026 às 16:30hs
O produtor de algodão se prepara para a safra 2026/27 com pouco espaço para erros operacionais. Em Mato Grosso, o custeio da lavoura foi projetado em cerca de R$ 10,6 mil por hectare em julho, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) citados por Leonardo Casali, gerente de Marketing de Produto para Plantadeiras e Pulverizadores da Fendt. Desse valor, quase R$ 4 mil correspondem a fertilizantes.
Na análise de Casali, o custo operacional exige a venda da pluma acima de R$ 127 por arroba e deixa uma margem pouco superior a R$ 1 mil por hectare. Nesse cenário, oscilações de preço ou produtividade podem alterar rapidamente o resultado da safra. Para o executivo, o caminho é usar os insumos com mais precisão, sem comprometer o manejo da cultura.
Plantio uniforme ajuda a evitar perdas desde o início
A eficiência da lavoura começa na distribuição das sementes. Profundidade e espaçamento adequados favorecem uma emergência mais uniforme e reduzem a competição entre plantas por água, luz e nutrientes. Falhas nessa etapa podem limitar o potencial produtivo antes mesmo das primeiras aplicações de defensivos.
Casali destaca que o desligamento individual das linhas de plantio pode evitar a sobreposição de sementes e fertilizantes em cabeceiras e áreas irregulares. Ele também cita sistemas que ajustam a pressão de cada linha da plantadeira às condições do solo, buscando manter a uniformidade do sulco ao longo do talhão.
Pulverização exige precisão ao longo de todo o ciclo
O algodão demanda aplicações frequentes para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas, além do manejo do crescimento das plantas. Segundo Casali, a cultura pode ultrapassar 20 aplicações em uma safra. Isso amplia o efeito acumulado de perdas de calda, sobreposições e falhas na deposição dos produtos.
Entre os recursos apontados pelo executivo estão sistemas que ajustam a pulverização às mudanças de velocidade, recirculação de calda na barra e sensores que controlam sua altura em relação à lavoura. O objetivo é manter a qualidade da aplicação mesmo em janelas de trabalho restritas.
Casali avalia que uma pulverização eficaz, associada ao bom controle fitossanitário e de plantas daninhas, pode contribuir para ganhos de produtividade da ordem de 10%. Esse potencial depende das condições da lavoura e da qualidade do manejo ao longo do ciclo.
Qualidade da fibra também pesa na comercialização
A precisão das operações tem reflexos além do custo por hectare. Para o produtor, preservar a produtividade e a qualidade da pluma é relevante em um mercado exportador que considera características da fibra, rastreabilidade e práticas de produção responsável.
Com margens estreitas, a decisão sobre investir em tecnologia precisa considerar o resultado de toda a safra. Na avaliação de Casali, reduzir desperdícios no plantio e melhorar cada aplicação pode fazer diferença na rentabilidade do algodão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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