Algodão 2026/27 em Mato Grosso cobre custos operacionais, mas preço ainda não paga custo total
Preço médio negociado alcança R$ 129,67 por arroba, enquanto o Imea estima em R$ 147,47 o valor necessário para remunerar todas as despesas da produção
Publicado em: 23/09/2026 às 11:00hs
O preço médio negociado do algodão da safra 2026/27 em Mato Grosso já permite cobrir os principais custos operacionais da lavoura, mas ainda não garante a remuneração integral da atividade. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o valor comercializado permanece R$ 17,80 por arroba abaixo do ponto de equilíbrio do custo total.
Até agosto, a média ponderada das negociações da pluma estava em R$ 129,67 por arroba. Para pagar todas as despesas da safra, entretanto, o algodão precisaria alcançar pelo menos R$ 147,47 por arroba.
O cenário indica que a recuperação das cotações trouxe algum alívio financeiro, mas a rentabilidade dos cotonicultores mato-grossenses continua pressionada para o ciclo 2026/27.
Preço do algodão supera COE e COT
Os cálculos do Imea consideram uma produtividade média de 126,86 arrobas de pluma por hectare, com base nos resultados das últimas três safras.
Nesse nível de rendimento, o produtor precisa vender o algodão por, no mínimo:
- R$ 120,06 por arroba para pagar o Custo Operacional Efetivo (COE);
- R$ 128,20 por arroba para cobrir o Custo Operacional Total (COT);
- R$ 147,47 por arroba para remunerar o Custo Total (CT).
Com a média negociada em R$ 129,67 por arroba, o preço supera em R$ 9,61 o ponto de equilíbrio do COE e em R$ 1,47 o nível necessário para pagar o COT.
A comercialização antecipada, contudo, ainda não alcança o patamar suficiente para cobrir o custo total, que inclui todas as despesas operacionais e a remuneração dos fatores envolvidos na produção.
Custo total chega a R$ 18,7 mil por hectare
Em agosto, o custeio do algodão 2026/27 foi estimado em R$ 10.617,82 por hectare, recuo de apenas 0,11% na comparação com julho.
O Custo Operacional Efetivo aumentou 0,13% no mês e atingiu R$ 15.250,61 por hectare. A elevação foi influenciada principalmente pelas despesas com arrendamento, que avançaram 4,72% no período.
Já o Custo Operacional Total apresentou crescimento mensal de 0,25%, chegando a R$ 16.264,37 por hectare. O custo total da produção subiu 0,21% e alcançou R$ 18.709,02 por hectare.
Rentabilidade do algodão continua pressionada
A diferença entre o preço médio negociado e o custo total mostra que o produtor consegue manter a operação, mas ainda enfrenta dificuldade para obter uma margem capaz de remunerar integralmente o capital, a terra e os demais componentes da atividade.
O resultado econômico da safra 2026/27 dependerá, sobretudo, do comportamento das cotações do algodão, da evolução dos custos de produção e da produtividade efetivamente alcançada nas lavouras.
Caso o rendimento fique abaixo da média considerada pelo Imea, o preço necessário para atingir o equilíbrio tende a aumentar. Por outro lado, ganhos de produtividade e novas altas da pluma poderão reduzir a pressão sobre as margens dos cotonicultores de Mato Grosso.
Fonte: Portal do Agronegócio
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