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VAREJO: Setor mostra sinais positivos, mas ritmo do terceiro trimestre é fraco

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de abril a junho veio acima das expectativas do mercado, mas os sinais para a atividade no terceiro trimestre ainda são mistos. A avaliação entre economistas é que, apesar de alguns indicadores de julho e agosto registrarem alta, o movimento não demonstra força suficiente para acelerar o crescimento neste trimestre. Um ritmo maior poderia ser observado a partir de outubro.

Dados diários - Dados diários da associação de concessionários de veículos (Fenabrave) mensalizados pelo Bradesco, por exemplo, apontam que a venda de veículos leves - um indicador para estimar o desempenho do varejo - subiu 2% em agosto em relação a julho. Igor Velecico, economista do banco, pondera, no entanto, que julho não havia apresentado bom resultado. "Não foi um mês muito bom. Agosto recupera um pouquinho, mas ainda assim o patamar é baixo", afirma.

Intenção de investimento - Ainda em relação ao varejo, indicadores da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) de agosto que monitoram a intenção de investimento dos varejistas estão nos maiores níveis para o mês desde 2014. Isso porque a percepção do comércio a respeito do nível de seus estoques também melhora. Dos entrevistados, 23,9% avaliam que os estoques estão acima do adequado, menor percentual para agosto nos últimos cinco anos. Em 2014, eram 23,3%; em 2016, chegaram a 31%.

Boletim Serasa - O boletim da Serasa Experian de agosto destaca o movimento do comércio durante a semana do Dia dos Pais (4 a 10 de agosto), que neste ano foi 0,8% superior ao verificado em 2018. O dinamismo, segundo o birô de crédito, é baixo, mas o resultado reverte as quedas em relação aos anos anteriores das datas comemorativas do segundo trimestre como Dia das Mães e Dia dos Namorados.

Mais favorável - Inflação controlada, juros em queda e melhora na confiança dos consumidores tornam a situação atual do comércio mais favorável. Mas mesmo os indicadores antecedentes de confiança apontam para direções diversas. A avaliação que os consumidores tinham em agosto sobre suas finanças familiares é a melhor desde junho de 2015, e tende a continuar progredindo nos próximos meses, de acordo com sondagem da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Bens duráveis - Apesar disso, a intenção de compra de bens duráveis desabou 10,9 pontos. Na outra ponta, o índice da FGV para a confiança do comércio sobe há três meses, atingindo 98,7 pontos em agosto, conforme comerciantes percebem melhora no ambiente atual de negócios. As expectativas, porém, ficaram praticamente estagnadas.

Impulso extra - A Serasa diz que o setor pode ganhar impulso extra por aspectos pontuais, como a antecipação do 13º salário dos aposentados e a liberação do saque de R$ 500 do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "A tendência é a atividade varejista experimentar um desempenho melhor ao longo dos próximos meses", diz o birô.

Mais fraco - Fabio Bentes, chefe da divisão econômica da CNC, afirma que agosto costuma ser um mês mais fraco e uma aceleração significativa nas vendas só deve ocorrer a partir de setembro.

Crédito - Um sinal positivo para o terceiro trimestre foi a melhora nas condições gerais de crédito em julho. Laura Karpuska, economista da BlueLine Asset, chama a atenção para a retomada das concessões de crédito livre à pessoa física. Os empréstimos nessa categoria subiram 3,28% ante junho, na série com ajuste sazonal. A construção residencial também tem ido bem, como indicam os números do crédito. Dados do Banco Central (BC) mostram que, em julho, o saldo de crédito direcionado, dominado pelo segmento imobiliário, aumentou 5,8% em relação a julho de 2018, ou 2,5% acima da inflação, segundo a MCM Consultores.

Leitura - "A leitura é que há uma melhora do crédito e o consumo das famílias se mantém. Mas o movimento não é acompanhado por melhora igualmente significativa nos salários ou no emprego, e há comprometimento de renda das famílias. O consumo cresce, mas não consegue ganhar fôlego", afirma Karpuska.

Varejo ampliado - A CNC projeta crescimento nas vendas do varejo ampliado - que inclui material de construção e veículos - de 4% neste ano, o que ainda representa desaceleração em relação à alta de 5% em 2018.

Setor automotivo - O desempenho do comércio tem sido muito dependente do ritmo do setor automotivo. Em relatório, o banco Santander observa que as vendas no varejo ampliado subiram 3,4% no primeiro semestre de 2019, ante 2018, mas, excluindo as vendas de veículos e peças, o crescimento seria de apenas 0,8%. E mesmo o segmento automotivo é impulsionado por nichos. As vendas diretas de veículos cresceram 24% no primeiro semestre, enquanto as vendas nas concessionárias avançaram 1,9%.

Indústria - Para a indústria, indicadores coincidentes de julho, os mais recentes disponíveis, subiram, "mas nada que salte aos olhos", afirma João Mauricio Rosal, economista-chefe da Guide Investimentos.

Produção maior - Números dessazonalizados pela LCA Consultores mostram que a produção de veículos e máquinas agrícolas, calculada pela associação que representa as montadoras, a Anfavea, cresceu 5,31% em julho, em relação ao mês anterior. O fluxo pedagiado de veículos pesados, estimado pela associação das concessionárias de rodovias (ABCR), avançou 1,84%. Já a produção de papel ondulado, da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), cresceu 2,9%.

PIB negativo - Diante desse cenário e considerando também números de agosto para a importação de bens intermediários (insumos e matérias-primas), o Itaú Unibanco vê chances de o PIB do terceiro trimestre ser negativo. Para o Bradesco, os indicadores apontam para uma expansão moderada, de 0,1%. "A tendência está mudando muito? Não parece. No geral, julho e agosto mostram mais do mesmo: um crescimento devagar. O período de contração ficou para trás, mas a velocidade da retomada ainda é muito baixa", afirma Velecico.

Data de Publicação: 04/09/2019 às 17:00hs
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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