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O que vem empurrando o dólar ladeira abaixo

Pelo projeto que está sendo tocado pela nova equipe econômica, esse prazo encolheria para algo entre 10 e 12 anos, quando seria feito o processo de transição de um regime para outro. A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 3,71, no câmbio comercial.

O fato é que o dólar não vem resistindo ao otimismo que tomou conta do mercado financeiro e tem sucumbido, dia após dia, às expectativas positivas que se seguiram à posse do presidente Jair Bolsonaro. Apenas neste ano, a moeda americana recuou 4,13%, se considerada sua cotação de R$ 3,87, no último dia útil de 2018. Isso depois de ter registrado o segundo melhor desempenho do ano passado, no ranking das aplicações, com valorização de 16,9%.

O comportamento de queda pode ser justificado pelo discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, que, embora sem anunciar medidas concretas, reafirmou o compromisso com o ajuste fiscal, seja por meio de reformas econômicas, como a da Previdência Social, seja por meio do programa de privatizações com a venda de empresas estatais.

As propostas que o mercado financeiro espera não foram anunciadas em detalhes pelo governo Bolsonaro, por enquanto. A falta de informações mais claras, no entanto, parece não abalar a euforia dos investidores, que reagem a qualquer avanço para o equilíbrio fiscal.

Parece haver um convencimento de que, desta vez, o governo conseguirá aprovar as medidas econômicas para o reequilíbrio de suas contas e evitar o crescimento descontrolado da dívida pública. Condição necessária para a volta da confiança dos agentes econômicos e a retomada de desenvolvimento do País. E também um dos principais desafios da atual equipe econômica.

O raciocínio é que o ajuste fiscal, visto como essencial para a reativação da economia e geração de empregos, é o que falta para colocar o País na trilha do crescimento. As demais condições para isso já estariam dadas, como o cenário de inflação comportada e de taxa de juros, referenciada na Selic, em nível histórico de baixa. Faltaria, portanto, pôr as contas públicas em ordem com a aprovação das principais reformas econômicas.

É apostando cada vez mais nessa possibilidade de que as reformas passarão que o dólar vem caindo ladeira abaixo desde a posse de Bolsonaro.

Embora a queda do dólar possa ser vista como a volta da confiança nas iniciativas do novo governo, há desafios enormes pela frente, principalmente no Congresso, onde terá de contar com o apoio de dois terços de deputados para aprovar as principais mudanças, principalmente as que alteram as regras de aposentadoria.

Especialistas calculam que, se as propostas do governo tiverem o formato previsto pelo mercado financeiro e houver sinais de que as negociações com o Congresso para a aprovação de medidas caminham bem, o dólar poderá escorregar para níveis mais baixos de preço. A estimativa é que, por enquanto, a cotação da moeda americana gire em torno de R$ 3,70, podendo escorregar até R$ 3,65.

Termômetro de expectativas

O vaivém do dólar é considerado indicador das expectativas dos agentes econômicos, incluindo investidores e mercado financeiro, em relação à economia e à política, principalmente.

Incertezas políticas ou econômicas levam, tradicionalmente, à valorização da moeda norte-americana, porque empresas e investidores costumam proteger seu capital ou patrimônio nessa divisa. Algo que não estaria ocorrendo agora, ao contrário. Quem estava com os recursos financeiros ancorados no dólar está agora saindo dessa posição, vendendo a moeda americana, diante do cenário econômico pouco mais claro e a volta do sentimento de confiança no governo de Jair Bolsonaro.

A expectativa de especialistas é que, se as reformas prosperarem no Congresso e as medidas adotadas apontarem para o início de um processo de ajuste fiscal consistente, as cotações do dólar recuem ainda mais, até abaixo de R$ 3,50.

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Data de Publicação: 09/01/2019 às 11:20hs
Fonte: O Estado de S. Paulo
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